A descoberta de petróleo cru em uma propriedade rural de Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, trouxe mais preocupação do que esperança para uma família de agricultores. Sem água para irrigação e criação de animais, e ainda sem orientações claras das autoridades sobre como agir, o agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, já cogita vender os cinco novilhos restantes da propriedade.
A situação foi relatada pelo filho do produtor, Sidnei Moreira. A família vive no Sítio Santo Estevão, a cerca de 35 quilômetros da sede do município, e encontrou a substância após perfurar dois poços artesianos em busca de água para manter a plantação e abastecer os animais.
A surpresa veio em novembro de 2024. Em vez de água, do solo começou a sair um líquido escuro, com odor semelhante a óleo e asfalto fresco. No último dia 19, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou que o material encontrado é “petróleo cru”.
Desde então, o medo da contaminação e a falta de orientação oficial têm impedido novas perfurações no terreno. Atualmente, seu Sidrônio, a esposa Maria Luciene e o filho Sidnei evitam arriscar novas tentativas de encontrar água.
Questionada sobre o caso, a ANP informou que a responsabilidade pela avaliação do terreno e pelas medidas de segurança seria da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (Semace). O órgão estadual afirmou que realizaria, nesta quinta-feira (11), uma reunião para definir os próximos passos.
Sem acesso regular à água, a família mantém apenas uma pequena horta sem irrigação, além de uma criação de 20 cabras e cinco novilhos, que pode ser reduzida caso a situação continue. Hoje, a única renda da casa é uma aposentadoria no valor de R$ 1.621.
Após a repercussão do caso, uma adutora foi instalada para abastecer o sítio. Mesmo assim, o receio com os custos do fornecimento faz a família restringir o uso da água apenas ao essencial.
Carlos Jardel, Via DN.
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