A Câmara Municipal de Camocim aprovou, durante sessão extraordinária realizada no dia 30 de junho, o Projeto de Lei nº 019/2026, de autoria da prefeita Betinha dos Aguiar, que altera as Leis Municipais nº 1.656 e nº 1.657, responsáveis por instituir os Planos de Cargos, Carreiras, Salários e Vencimentos da Guarda Civil Municipal e do Departamento Municipal de Trânsito.
A convocação da sessão atendeu a um ofício encaminhado pelo Poder Executivo e teve como pauta exclusiva a apreciação da matéria. Antes da votação, os trabalhos foram suspensos por cinco minutos para que a Comissão de Constituição, Justiça e Redação emitisse parecer verbal, conforme previsão do Regimento Interno.
O vereador Marcos Coelho apresentou pedido de vista, defendendo que o projeto precisava de uma análise mais aprofundada pela Comissão de Constituição e Justiça antes de ser votado. Segundo ele, havia dúvidas importantes que ainda não haviam sido esclarecidas, especialmente sobre a existência ou não de pagamento retroativo aos guardas municipais e agentes de trânsito e sobre alterações nos critérios de progressão funcional das categorias.
Marcos também defendeu que representantes da Guarda Municipal, dos agentes de trânsito e do Sindicato dos Servidores fossem ouvidos antes da votação da proposta.
O pedido de vista foi submetido ao plenário e acabou rejeitado por sete votos contra três. Com isso, o projeto seguiu para discussão e foi aprovado pela maioria dos vereadores. Marcos Coelho registrou abstenção na votação final.
Apesar da importância da matéria para duas categorias do serviço público municipal, durante a sessão não foram apresentados os valores das gratificações, os percentuais das alterações remuneratórias, o impacto financeiro da proposta nem esclarecimentos sobre eventual pagamento retroativo.
O presidente da Câmara limitou-se a informar que o projeto promovia alterações no Plano de Cargos da Guarda Municipal e do Departamento de Trânsito para adequações na carreira e regulamentação de gratificações.
A ausência dessas informações foi um dos principais argumentos utilizados pelo vereador Marcos Coelho para justificar o pedido de vista.
O histórico do Plano de Cargos
Em dezembro de 2023, a prefeita Betinha anunciou o envio do projeto que criava o Plano de Cargos da Guarda Civil Municipal, uma reivindicação antiga da categoria. Na ocasião, o Revista Camocim noticiou que integrantes da Guarda reclamavam de não terem participado da elaboração da proposta.
Clique aqui e releia.
Meses depois, em maio de 2024, a Câmara aprovou os Planos de Cargos da Guarda Municipal e do Departamento de Trânsito, posteriormente transformados nas Leis Municipais nº 1.656 e nº 1.657.
Entretanto, durante a tramitação daquele projeto, o Executivo alterou a vigência dos efeitos financeiros para o exercício de 2025. Na época, Marcos Coelho afirmou que, embora votasse favoravelmente ao plano, ele não produziria benefício financeiro imediato para os servidores porque os efeitos remuneratórios haviam sido adiados.
Clique aqui. e releia.
Foi justamente esse histórico que voltou ao centro do debate na sessão extraordinária. Durante sua fala, Marcos Coelho argumentou que existiam dúvidas sobre a implementação das vantagens previstas nas leis aprovadas em 2024 e questionou se o novo projeto resolveria a questão dos pagamentos que, segundo ele, deveriam ter sido implantados desde janeiro de 2025.
Até o momento, a íntegra do Projeto de Lei nº 019/2026, acompanhada de seus anexos financeiros, ainda não foi disponibilizada para consulta pública. Por essa razão, não foi possível verificar exatamente quais dispositivos das Leis nº 1.656 e nº 1.657 foram alterados.
Também permanecem sem resposta questões como:
quais gratificações tiveram seus valores modificados;
quais cargos serão diretamente beneficiados;
qual será o impacto financeiro para os cofres municipais;
se haverá pagamento retroativo aos servidores;
quando as alterações entrarão em vigor.
Carlos Jardel

