Vendido informalmente no Ceará por valores entre R$ 1 e R$ 10, o jumento nordestino, símbolo histórico da resistência no semiárido, pode valer até R$ 1.500 na China após o processamento da pele e extração de colágeno usado pela indústria de cosméticos.
Apesar de movimentar um mercado milionário na Ásia, a atividade não é vista como alternativa sustentável para o agronegócio local. Pelo contrário. Especialistas e setores ligados à proteção animal alertam para riscos à reputação do setor, falta de rastreabilidade e ameaça à própria sobrevivência da espécie.
Na última quarta-feira, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado aprovou uma sugestão legislativa que pede a proibição do abate de jumentos em todo o Brasil. A proposta, identificada como SUG 9/2025, agora passa a tramitar como projeto de lei no Congresso Nacional.
Entre os argumentos levantados estão a proteção animal, o risco de extinção do jumento nordestino e os impactos sanitários provocados pela informalidade do comércio, que pode comprometer a imagem do agronegócio brasileiro.
Carlos Jardel, via DN

