Em Camocim, cuidar de gente de rua com transtorno mental virou opção, não obrigação
Vamos aos fatos:
1. Um homem em situação de rua, com transtorno mental, circula nas imediações do Instituto São José, justamente nos horários de entrada e saída das crianças. O fato é conhecido. Não é novidade. Não é boato.
2. Já houve episódio grave. Tentativa de invasão da igreja, semi nu, durante catequese, com crianças presentes. Boletim de Ocorrência registrado. E depois disso, o protocolo informal do silêncio.
Alfinetada
Tenho frequentemente dito aqui no Revista e no programa que apresento na Meio Norte FM 93.1, que não é caso de polícia. Também não é tratado como saúde pública. E, ao que tudo indica, tampouco é assunto da Justiça, dos conselhos e das associações que deveriam atuar quando há risco, vulnerabilidade e exposição de crianças.
A rede de proteção não aparece
Os conselhos não se manifestam
A Justiça observa
As associações se calam
O homem segue abandonado, sem tratamento, sem acompanhamento, sem qualquer ação efetiva. As crianças seguem expostas. E o poder público continua fingindo que isso é normal.
Em outras palavras, ninguém quer assumir a responsabilidade, porque cuidar de gente em sofrimento mental parece opcional.
Então, neste caso, só não vale depois fingir surpresa quando o problema, ignorado todos os dias, resolver aparecer do jeito mais duro.
Porque aí, como sempre, vai todo mundo perguntar como isso foi acontecer.
Carlos Jardel
