Em Camocim, não é preciso dilúvio bíblico para desmascarar o mito do saneamento “100%”. Basta chover. Às vezes, nem chover muito, basta serenar para o roteiro se repetir:
- Ruas viram rios improvisados
- Bueiros entram em erupção
- Esgoto volta pelo caminho que nunca deveria existir
- Estruturas frágeis cedem à força da água
Caro leitor, isso não é azar climático. É infraestrutura precária!
Os próprios dados do IAS – Instituto Água e Saneamento mostram que Camocim sequer possui informações consolidadas sobre drenagem urbana e manejo das águas pluviais, justamente o sistema responsável por evitar alagamentos.
Ou seja, o saneamento que resolve o problema da chuva simplesmente não existe de forma técnica e completa.
O tal “100% saneado” ignora a realidade molhada das ruas inundadas e do esgoto correndo a céu aberto nos bairros. Ele só funciona no discurso oficial. Na prática, afunda na primeira enxurrada.
Segundo o Plano Nacional de Saneamento Básico, ele envolve quatro pilares, que sao: 1- água, 2- esgoto, 3 - lixo e 4- drenagem.
Em Camocim, apenas o abastecimento de água tem cobertura mais ampla. E mesmo assim, incompleta.
Os números são incômodos:
- Milhares ainda sem água tratada
- Mais de 30 mil pessoas sem esgoto
- Drenagem urbana praticamente inexistente nos registros técnicos
Enquanto a propaganda canta eficiência, a chuva mostra o caos, com conclusão simples: se fosse mesmo “100% saneada”, Camocim não alagaria como alaga.
A água escoaria, o esgoto não voltaria.
As ruas não virariam lagoas. Mas viram. E viram porque o saneamento de verdade ainda não chegou, só o de palanque.
Carlos Jardel

