Ora, dizer que Camocim é “100% saneada”, como repetem a prefeita Betinha dos Aguiar, a vice Monica e o deputado Sérgio Aguiar, não é apenas uma hipérbole política, é um ermo discurso que desconsidera os próprios indicadores oficiais de saneamento.
Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SINISA), que reúne dados públicos de cobertura de água e esgoto, 87,3% da população camocinense tem acesso ao abastecimento de água por rede pública, ou seja, mais de 12% ainda não têm água tratada em casa.
E quando se trata de esgotamento sanitário, o quadro é ainda mais dramático: apenas 44,9% da população é atendida pelo serviço público de coleta de esgoto.
Ou seja, água tratada: cobertura incompleta! Esgoto: menos da metade da população atendida!
Isso está bem longe de uma universalização total, e muito mais perto de uma realidade em que água, esgoto e infraestrutura urbana ainda são grandes desafios.
E é justamente nessa lacuna entre dados técnicos e discurso político que se joga a poeira fina das narrativas otimistas.
Carlos Jardel

