Cristianismo, uma doutrina difícil que poucos entendem sua simplicidade - Revista Camocim

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sábado, 30 de outubro de 2021

Cristianismo, uma doutrina difícil que poucos entendem sua simplicidade

 



Por Paulo Emanuel Lopes*


Em meu artigo da semana passada, Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita, sinto que não fui feliz e não transmiti a mensagem que gostaria. Lá eu faço um desabafo sobre como a maioria dos cristãos estão interessados em vender-se como bons, esquecendo-se, muitas vezes, de seguir princípios básicos deixados pelo Nazareno. Mas ao julgar a atitude de alguém, cometi o mesmo erro que acusei tantos “cristãos” de fazer, olhar o cisco no olho do próximo esquecendo de tirar primeiro a trave no meu. Peço perdão se ofendi.


LEIA : Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita


A mensagem que desejo divulgar não envolve apontar o que está errado, mas como encontramos dentro de nós, se é possível, a perfeição que Nosso Senhor Jesus nos inspirou. “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” Mateus 5:48


Primeiro, gostaria de frisar o quanto o Cristianismo é uma doutrina difícil de seguir. Muitos acham que é só ir à missa, ao culto toda semana, vestir roupa tal, comungar, doar para o santo ou para o pastor, e pronto, você está no caminho da Salvação. Ou seja, seguir ritos pré-estabelecidos por instituições que pretendem ligá-lo à espiritualidade.


Eu não sou Cristão por isso. Quando perguntam qual religião eu sigo, sinto que ficam um pouco confusos quando digo que sou Cristão, embora não católico, evangélico, espírita ou outros. Esse conceito de seguir os ensinamentos de Jesus, sem passar por um intermediário na Terra, é novo para muita gente. Devo ter sido um essênio no passado - a seita judaica que existiu nos tempos de Jesus vivia isolada no deserto, imersa em estudos e rituais de limpeza e purificação. Sim, lembra João Batista, o primo de Jesus que o batizou e anunciou ao mundo.


Sigo Jesus porque, em minha opinião, ele foi um profeta revolucionário. Ao invés de aliar-se aos grandes de sua época, obtendo com isso favores e riquezas, preferiu expulsar os mercadores do templo e denunciar a hipocrisia dos sacerdotes. Numa época em que as mulheres eram tratadas como seres inferiores, trouxe-as para o centro de seu Ministério, mostrando-se primeiro a elas quando ressuscitou. Enquanto eram apedrejadas até a morte por infidelidade, Ele pregou o perdão e a não julgar as pessoas pelos seus erros.


Fiz a disciplina de Filosofia da Arte com um professor ateu. As discussões na sala de aula sobre religião eram constantes e produtivas, mas eu nunca me interessei em questionar as certezas daquele professor, inclusive em respeito ao seu número de anos de estudo. Mas uma vez, ao falar sobre a vida de Jesus, esse homem que veio ao mundo e inspirou o surgimento de uma religião, sem deixar nada escrito, fez o seguinte comentário: “Realmente o cristianismo é a filosofia mais evoluída.” Ele falava sobre o perdão, sobre a negação do Eu em nome do coletivo, sobre como os últimos serão os primeiros, sobre quão mágica é a linha de pensamento inspirada pelo Nazareno. Naquele dia, um intelectual ateu tornou ainda mais firme minha fé. Graciosidades da vida.


Jesus perdoou e trouxe as mulheres para o centro da sua doutrina; negou os sacerdotes de seu tempo e disse a um rico: vá, doa todos os teus bens aos pobres e me segue; explicou que os últimos serão os primeiros, e que felizes são os que sofrem hoje; que se você se arrepender de coração, mesmo que apenas na hora da morte, sentará limpo à direita de Deus. “Peçam, e será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta será aberta. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.” Mateus 7:7-8


Jesus não diz que quem peca vai para o inferno, mas que a salvação está disponível a todos. Ele não chama ao Senhor “Deus dos Exércitos”, como no antigo testamento, mas apenas “Pai”. Ele diz que os mansos de coração herdarão a terra, não os que gritam alto seu nome em templos. Que você precisa perdoar seu irmão não 7, mas setenta vezes 7 vezes. Nesse sentido, a insistente mensagem de Misericórdia pregada pelo Papa Francisco, de tão simples que é, se mostra profundamente cristã e profética.


Esse é o Deus em que acredito: um ser de Misericórdia e Salvação, não de sofrimento ou julgamento. Não acho que Ele expulse seus filhos para longe de si, somos nós quem tomamos essa decisão. Não acho que a salvação está em religião X ou Y, mas dentro de cada um de nós, primeiramente.


Assim, entendemos como o Cristianismo é uma doutrina difícil, porque seu princípio basilar não está em atitudes externas, como ir à missa ou doar o dízimo, mas em internas: perdoar o irmão antes de fazer sua oferenda ao altar; não jogar pedra contra a adúltera, já que todos nós pecamos; olhemos a trave no nosso olho ao invés do cisco no do irmão; quando agredidos, ofereçamos ao agressor o outro lado de nossa face. Como diz a oração de São Francisco, é melhor amar que ser amado.


Não sejamos como os falsos profetas, que oram em público e julgam o ladrão crucificado. Ame incondicionalmente, principalmente aqueles que lhe ofenderam. Seja grato à vida todos os dias, mesmo quando você encontra pedras e espinhos. Só assim você entenderá a seguinte passagem:


"Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é ESTREITA A PORTA, e APERTADO O CAMINHO que leva à vida! São poucos os que a encontram.” Mateus 7:13-14


*É Jornalista e Publicitário. Escreve às sextas.

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