A reunião de ontem entre Cid
Gomes (Pros) e Eunício Oliveira (PMDB) aprofundou ainda mais as tensões na base
aliada. O senador informou oficialmente a pretensão do PMDB em disputar o
Governo, mas não recebeu sinalização sobre a intenção de Cid. O POVO apurou
que, até ontem, não havia no Palácio da Abolição perspectiva de apoiar o
peemedebista. Com o PT fincando pé na busca pelo Senado, a síntese do dia de
reuniões de ontem foi de impasse ainda maior entre aliados.
Eunício e Cid se reuniram na
tarde de ontem, no Palácio da Abolição. Na conversa, o peemedebista lembrou que
apoia o governador desde 2006 e disse que gostaria de contar, em volta, com
apoio do Pros neste ano. Segundo o Blog do Eliomar, Cid teria pedido prazo para
4 de abril para definir posição e lamentou “antecipação” da questão eleitoral
pelo peemedebista.
Após o encontro, senador e
governador saíram por entradas diferentes do Palácio, sob justificativa de que
carro de Eunício estaria em lado oposto à saída de Cid. O chefe do Executivo
evitou comentar o assunto: “Entendo que como foi o senador que pediu a
audiência, seja ele quem deve falar”, acrescentando que foram discutidos temas
diversos, “desde inverno até interesses do Estado”.
Sem falar com a imprensa, o
peemedebista deixou o Palácio e foi para sua residência, no Meireles. Lá,
encontrou-se com pessoas próximas de seu grupo político, entre elas o deputado
estadual Danniel Oliveira e o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena.
Tensões
Nos bastidores, fervilharam
rumores de tensionamento entre Cid e Eunício no encontro de ontem. O senador,
no entanto, nega. “Foi uma conversa boa, tranquila. Apresentei o desejo do PMDB
em disputar, mas não seria decente da minha parte exigir resposta imediata,
sabendo que ele possui diversas questões para tratar”, diz.
Questionado sobre qual teria
sido, então, resposta do governador sobre a possível indicação, desconversou:
“Isso tem que se perguntar para ele”. Eunício negou ainda ter recebido prazo de
Cid para uma resposta. “Ninguém dá prazo para senador ou governador”, disse.
Já sobre qual será a posição
do PMDB sobre candidatura a partir de agora, Eunício afirmou que a legenda
aguardará os prazos eleitorais. “Ainda temos até junho para as convenções. A questão
da candidatura do PMDB está nas ruas, é pública”.
Ele ainda disse que o encontro
com aliados após a conversa com Cid foi apenas um almoço entre amigos. “Eu fui
só me encontrar de novo com essa turma, com quem eu já estava antes. O Danniel
(Oliveira) sempre me busca no aeroporto e fica comigo enquanto estou aqui, é
como se fosse um irmão”, disse.
Segundo Eunício, após falarem
de eleição, ele e Cid teriam falado ainda de entrega de obras no Estado.
Por quê
ENTENDA A NOTÍCIA
Com o PMDB reivindicando o
Governo e o PT querendo posição no Senado, falta espaço para acomodação de
aliados no arco de aliança que governa o Ceará desde 2006 - criando hoje o
maior impasse entre seus principais sustentadores. Líder do Pros, maior partido
do Estado, Cid Gomes evita antecipar decisões sobre o processo eleitoral.
Saiba mais
Eunício Oliveira chegou ontem
ao Palácio da Abolição por volta do meio dia, acompanhado por assessores. Ele
deixou o local logo após o encontro, pouco antes das 15hs.
O senador foi recebido pelo
chefe de gabinete do governador, Danilo Serpa, e levado até Cid. Segundo
Eunício, reunião de ontem foi fechada, com apenas ele e o governador presentes
na sala.
Negando rumores de
tensionamento, Eunício Oliveira destaca que, após o encontro, ele foi
acompanhado até o seu carro pelo próprio Cid. Segundo ele, todas as informações
no sentido de tensionamento ou exaltação de ânimos são “completamente
mentirosas”.
O POVO
