O líder sul-africano Nelson
Mandela morreu nesta quinta, 5, em sua residência, em Johannesburgo, aos 95 de
idade. Ele passou recentemente por tratamento de uma infecção pulmonar. Desde
então seu estado de saúde continuava crítico. Ele estava recebendo cuidados
médicos em casa.
A morte de Mandela foi anunciada
em comunicado pela televisão, pelo presidente da África do Sul, Jacob Zuma. Ele
sofria de problemas respiratórios e estava recebendo cuidados médicos em casa.
Premiado com o Nobel da Paz por
sua luta contra a violência racial na África do Sul, Mandela passou 27 anos
preso e se tornou o primeiro presidente negro daquele país.
O Líder
O líder ficou conhecido como
Madiba (reconciliador) devido ao clã a que pertencia e recebeu o título de O
Pai da Pátria. A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia
Internacional Nelson Mandela em defesa da luta pela liberdade, justiça e
democracia. Ao visitar o Brasil, em 1992, Mandela conversou com o então
presidente Fernando Henrique Cardoso. Bem-humorado, Mandela disse que gostava
muito de uma ave tipicamente brasileira – o papagaio – e arrancou risos dos
presentes.
Passagem pelo Brasil
No Rio de Janeiro, Mandela foi
a um show de Martinho da Vila, no Sambódromo, e demonstrou entusiasmo ao ver
uma apresentação de capoeira. Ao lado do então governador Leonel Brizola (que
morreu em 2004), Mandela acompanhou o ritmo do samba e agradeceu as
manifestações de apoio da plateia.
Em 2010, o então presidente
Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, pela terceira vez, com Mandela. Segundo
Lula, sua trajetória política foi marcada por duas influências intensas: Mandela
e Fidel Castro, ex-presidente de Cuba e líder da Revolução Cubana, em 1959.
De uma família sul-africana
nobre, do povo thembu, Mandela ficou 27 anos preso em decorrência de sua luta
em favor da igualdade racial, da liberdade e da democracia. Na prisão, ele
escreveu sua autobiografia. Preparado pela família para ocupar um cargo de
chefia tribal, Mandela não aceitou o posto e partiu em direção a Joanesburgo
para cursar direito e fazer política.
Com amigos, Mandela criou a
Liga Juvenil do Congresso Nacional Africano (CNA), cuja sigla em inglês é
Ancyl. Ele foi eleito secretário nacional da Ancyl e executivo nacional do CNA.
O princípio da sua política é a paz.
Na prisão, Mandela não tinha
contato com o exterior, pois não podia receber jornais e notícias externas.
Mesmo no período em que esteve preso, Mandela recebeu homenagens. No dia em que
deixou a prisão foi recebido por uma multidão. Ele gritava: “Poder” e os
manifestantes respondiam: “Para o Povo”.
Eleição de Mandela
A eleição de Mandela foi um
marco na história do país, definindo a nova África do Sul com um processo de
reconciliação entre oprimidos e opressores. Em 1992, o resultado do referendo
entre os brancos dá ao governo, com mais de 68% de votos, o aval para as
reformas e permite uma futura constituinte.
Em 2001, Mandela foi
diagnosticado com câncer de próstata, mas apesar do tratamento ele fez campanha
em favor do combate à aids, um dos principais problemas de saúde pública na
África do Sul. Ao completar 85 anos, ele anunciou a aposentadoria.
