E a novela do concurso público
em Camocim/CE continua vergonhosamente. Até agora, sem perspectivas de um final
feliz! Nessa história, que mais parece filme de terror, há dois personagens
peculiares e muito interessantes: a vilã maquiavélica que não sabe como cumprir
tantas promessas eleitorais e, do outro lado, o povo, gigante cego, que
"silenciosamente" como cordeirinho, manso e domesticado (com raras
exceções!) não consegue se organizar para reivindicar os seus direitos.
"E agora quem poderá nos
defender?" - grita uma multidão de jovens, velhos, pais de família,
cidadãos camocinenses desempregados que viram nesse "bendito
concurso" um caminho para o tão sonhado emprego e para uma vida mais
digna. Claro, nem tudo está perdido! O problema é que nos acostumamos a
conjugar o verbo "calangar" e a comer as migalhas que caem das mesas
de uma pequena casta. Ingenuamente pensamos: "melhor comer pequenas
migalhas do que passar fome!" Se somos do tamanho de nossos anseios e
metas de vida, medíocres são os sonhos de quem almeja tão pouco. Incomoda
realmente esse comodismo de quem não se deu conta da força que tem. Fico me
perguntando: "Onde está o meu povo pertinaz e lutador, retratado e tão bem
descrito no inesquecível hino de Camocim/CE?" Dormindo em berço esplêndido
ou nas praças e ruas da cidade soltando o verbo e o grito engasgado na goela?!
Precisamos ser muito mais do que cidadãos distintos e insatisfeitos com a
realidade. É hora de se assumir como UM POVO QUE NÃO SE CALA, E NÃO SE CURVA
diante da omissão e da mentira.
César Rocha