CAMOCIM - COM LICENÇA, QUEREMOS PASSAR. - Revista Camocim

Clique na imagem para enviar o seu curriculum

Clique na imagem e conheça nossos produtos e ofertas

Clique na imagem e conheça nossos produtos e ofertas

Financiamento a partir de R$160 mil.Venha conversar com a gente. Clique na imagem.


Em Camocim, hospede-se nos hotéis Ilha Park e Ilha Praia Hotel. Clique na imagem e faça sua reserva




quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

CAMOCIM - COM LICENÇA, QUEREMOS PASSAR.


 Em maio de 1982, Carlos Drummond de Andrade escreveu algo muito interessante sobre o direito de ir e vir, direito este que, aqui em Camocim, deveria ser questionado rigorosamente pelas autoridades competentes. Leia atentamente o que escreveu o poeta e escritor sobre o assunto.
 “Outro dia fui ao médico e ele me perguntou se eu ando bastante a pé.
 - Muito, respondi.
 - Pois então ande mais ainda.
 O conselho é saudável, mas não sei como se possa andar com as calçadas e o leito das ruas cheios de veículos, sem uma beiradinha para o infortunado pedestre. Fomos definitivamente proscritos da cidade. E não temos para onde ir, pois o progresso chega ao interior, com seu cortejo de máquinas, desde o automóvel até a carreta, passando pela moto, a escavadeira, a britadeira e demais bichos mecânicos incumbidos de obstar o alegre movimento das pernas...”

Olhando para a foto acima, tirada por um leitor deste blog, Revista Camocim, podemos observar que de 1982 até 2013, a situação não mudou praticamente nada, apesar da intensificação das leis e das normas oficiais que os municípios criaram regulamentando o uso das calçadas para resguardar o direito sagrado de ir e vir dos cidadãos, Camocim perpetua este mal insolente que prejudica vários cidadãos em pleno centro comercial da cidade, onde o fluxo de pessoas, carros, ciclistas e motociclistas, num processo transitório sem confluência se caracterizam como instrumentos perigosos, capazes de vitimar qualquer um que se atreva a andar despercebido.
 A foto acima é uma prova de que a calçada é um convite para o constrangimento de cadeirantes, idosos e demais pessoas que, muitas vezes, diariamente, se submetem ao ato de descer a calçada para se aventurarem entre carros e motos no violento  fluxo de frente ao semáforo instalado na Rua 24 de maio com Alcindo Rocha (semáforo que vez por outra também não funciona).  Até pouco o estabelecimento fotografado estava marcado por bandeiras do partido político da prefeita Mônica Aguiar, o que se configura numa verdadeira afronta a população, uma grande desobediência a Lei Eleitoral que proíbe propaganda política em estabelecimentos públicos. Seria isso um sinal de que esta calçada foi privatizada? Ou está apadrinhada?
 Estendo aqui esta critica a todos os comerciantes que abusivamente usam destas mesmas praticas desrespeitosas. Em muitas cidades Brasil a fora este abuso está sendo eliminado por parte da justiça.  E em Camocim quem vai tomar as providencias?

Concluindo o texto fica a reflexão de Carlos Drummond Andrade

“Vamos trabalhar pela afirmação (ou reafirmação) da existência do pedestre, a mais antiga qualificação humana do mundo. Da existência e dos direitos que lhe são próprios, tão simples, tão naturais, e que se condensam num só: o direito de andar, de ir e vir, previsto em todas as constituições... o mais humilde e o mais desprezado de todos os direitos do homem. Com licença: queremos passar”

(Publicada em Jornal do Brasil de 9/5/82-Domingo) Leia a publicação na integra AQUI