Acredite se puder, mas a idiotice de plantão, pelo visto, em Camocim, está tentando implantar na mente do eleitor a campanha para "deputado municipal".
Porque, pelo discurso de alguns, deputado estadual deveria disputar voto apenas dentro do município onde nasceu. É o famoso “forasteiro, forasteiro, forasteiro”.
Tem que votar em candidato daqui. Mas por quê?
Eleição para deputado estadual é estadual. O candidato pode ser de Camocim, Granja, Sobral, Fortaleza, Crato ou de qualquer outro município do Ceará. E o eleitor pode votar em quem quiser.
Isso parece óbvio. Mas, aparentemente, precisa ser explicado.
Durante muitos anos, candidatos de outras cidades, inclusive de municípios bem distantes da região Norte do Ceará, receberam votos em Camocim. E ninguém parecia muito preocupado com a origem geográfica do candidato.
Agora descobriram o “forasteirismo eleitoral”.
É uma tese curiosa. E bastante conveniente.
Ora, o Roger Aguiar é do Marco. O Zé Airton é do Icapui, do outro lado do Estado. São forasteiros? rssrs.
Querem municipalizar uma disputa que não é municipal. Querem colocar fronteiras políticas onde a própria legislação eleitoral não colocou.
Democracia não funciona assim.
O eleitor não recebe uma lista limitada aos candidatos que nasceram no seu município. Ele recebe opções e escolhe quem considera mais preparado para representá-lo.
Se é daqui, vota. Se é de outra cidade, também vota. Se é de Granja, pode votar. Se é de Fortaleza, pode votar. Se é de qualquer outro lugar do Ceará, pode votar.
O voto é do eleitor. Não é propriedade do município.
E talvez seja exatamente isso que esteja incomodando.
Quando faltam argumentos para discutir liderança, trabalho, resultados e capacidade política, inventa-se uma fronteira imaginária e chama-se o adversário de “forasteiro”.
É uma forma bastante curiosa de tentar ganhar uma eleição.
Em vez de convencer o eleitor, tenta-se controlar quem o eleitor pode considerar candidato.
Isso não é política. É despolitização.
E, convenhamos, uma eleição estadual já é grande demais para caber na cabeça de quem insiste em tratá-la como uma eleição de bairro.
Nunca vi eleição para deputado municipal.
E espero sinceramente que não inventem essa modalidade agora.
Carlos Jardel

