Enquanto muita gente reclama da saúde, da falta de medicamentos, do lixo tomando de conta das ruas, e até do atraso de quase três meses nos pagamentos de prestadores de serviço, motoristas e donos de transportes, a Prefeitura de Camocim homologou um pregão de R$ 11.405.900,00 para aluguel de palco, som, iluminação, banheiros químicos, decoração, segurança e outros serviços para eventos.
Desse valor, R$ 6.859.200,00 ficaram com uma empresa e R$ 4.546.700,00 com outra.
Já os cachês de artistas, divulgados para o Festival de Quadrilhas e o Quadrilhão deste ano, somam R$ 2.175.000,00. Foram R$ 950 mil para Bruno e Marrone, R$ 475 mil para Durval Lellys, R$ 450 mil para Felipe Amorim, R$ 130 mil para Rogerinho, R$ 80 mil para Mateus Ximenes e R$ 90 mil para Aldair Playboy.
Somando estrutura e bandas, a conta passa dos R$ 13,5 milhões em eventos.
Aqui, é preciso garantir que festas são coisas boas. Fazem parte da cultura nordestina e merecem reconhecimento pelo valor social, turístico e econômico. Ninguém precisa ser contra. No entanto é preciso e sadio questionar a ordem de prioridades da aplicação do dinheiro público, principalmente nos momentos em que faltam soluções para problemas que fazem parte do dia a dia da população. A final de contas, estamos falando de mais R$ 13 milhões que poderiam representar mais investimentos em unidades de saúde, medicamentos, recuperação de ruas, estradas vicinais, escolas, creches e ações que impactam diretamente a vida de quem paga impostos todos os dias.
Questionar o uso do dinheiro público não é ser contra a cultura. É discutir prioridades. Porque a festa acaba, o palco é desmontado, mas os problemas continuam esperando soluções.
Alfinetada
Detalhe: Granja investe menos e gera lotaçao de público. Camocim investe mais milhões e consegue fiasco de público.
Carlos Jardel

