Uma mulher de 62 anos foi resgatada de uma situação de trabalho análogo à escravidão após passar 55 anos trabalhando para a mesma família em um condomínio de luxo na Grande Fortaleza. Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, ela começou a prestar serviços quando tinha apenas sete anos e foi mantida por três gerações da família, sem salário e em total dependência econômica.
A operação foi realizada com apoio do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal. A investigação aponta que a trabalhadora nunca recebeu remuneração pelos serviços prestados. Ela vivia do Bolsa Família, benefício que, de acordo com a fiscalização, era sacado pela própria empregadora antes de ser entregue à vítima.
Os auditores estimam que a dívida trabalhista, incluindo salários, férias, 13º salário, FGTS, horas extras e demais direitos, ultrapassa R$ 1,5 milhão.
Após a fiscalização, os empregadores assinaram um Termo de Ajuste de Conduta, comprometendo-se a pagar R$ 50 mil em verbas rescisórias, comprar um imóvel para a trabalhadora no valor mínimo de R$ 150 mil e custear as contribuições previdenciárias até que ela consiga se aposentar. O acordo, no entanto, não impede que a vítima busque na Justiça o pagamento integral dos direitos e de eventuais indenizações.
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