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| Foto meramente ilustrativa |
O Tribunal Superior Eleitoral decidiu colocar um freio numa prática que muita gente já normalizou no Brasil como se fosse “obra de Deus”. A Corte confirmou a condenação de candidatos ligados à Igreja do Evangelho Quadrangular em Votorantim (SP), entendendo que houve abuso de poder político e econômico ao transformar a estrutura religiosa em plataforma de campanha. Em bom português, o TSE enxergou o que parecia evidente. Culto não é comício, púlpito não é palanque e oração não pode virar cabo eleitoral disfarçado de espiritualidade.
Segundo o processo, candidatos foram apresentados como representantes da igreja, receberam apoio público diante dos fiéis e até orações pelo sucesso nas urnas. Um pastor chegou a afirmar que a congregação trabalharia pelas eleições do grupo. O detalhe que pesa é que isso fazia parte de um projeto nacional para eleger 120 vereadores. A Justiça Eleitoral concluiu que não houve coincidência nem entusiasmo espontâneo, mas uma engrenagem organizada usando fé, autoridade religiosa e influência coletiva para desequilibrar o jogo democrático.
Em outras palavras, a decisão do TSE deixa cristalino o que deveria ser óbvio, que Igreja tem direito à fé, à opinião e à participação no debate público. O que não pode é usar a confiança dos fiéis como atalho eleitoral. Porque quando pastor ou padre vira coordenador político e altar vira vitrine de candidato, a liberdade religiosa começa a ser usada como ferramenta de pressão eleitoral. E democracia não combina com curral, seja ele político ou espiritual.
Carlos Jardel

