Em Camocim a Semana Santa ganhou um “evento oficial” que já virou tradição constrangedora. A fila da humilhação. Gente desde a madrugada, espremida, cansada, pegando sol e chuva, tudo por uma cesta básica que já é paga com o próprio dinheiro dessas mesmas pessoas.
A cena se repete como se fosse normal. E não é. É a pobreza sendo organizada em fila pra render foto bonita depois.
No meio disso, aparecem as figuras de sempre, Sérgio Aguiar, Monica e Betinha como se estivessem fazendo um favor. Não estão. É obrigação. E ainda conseguem transformar obrigação em palco.
A “novidade” do ano são tendas que mais parecem um curral estilizado. Um corredorzinho apertado, empurrando gente como se dignidade fosse detalhe. Faltou só numerar como se fosse lote.
Ninguém é contra entregar cesta básica. O problema é fazer disso um espetáculo de exposição. Dava pra entregar nas comunidades, nas escolas, em espaço coberto, com gente sentada, com respeito mínimo. Mas aí não tem plateia, não tem registro, não tem narrativa pronta.
É mais fácil manter o povo em pé, esperando, agradecendo pelo que já é dele por direito.
Camocim não tem problema de logística. Tem problema de escolha mesmo.


