Uma família de ciganos da etnia Kalderash viveu momentos de tensão e violência nessa terça-feira, na praia de Flecheiras, em Trairi, no litoral oeste do Ceará. O grupo foi alvo de uma tentativa de linchamento após ser acusado, sem provas, de envolvimento em sequestro de crianças.
Segundo apuração do Diário do Nordeste, os ciganos estavam na região trabalhando com a venda de enxovais quando começaram a ser hostilizados por moradores. A situação saiu do controle depois que parte do grupo foi vista usando tornozeleiras eletrônicas, o que gerou desconfiança e acabou alimentando o boato.
As mesmas pessoas já haviam sido alvo de acusações semelhantes em janeiro, no município de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. Na ocasião, foram apontadas por moradores como suspeitas de tentar sequestrar crianças, mas a denúncia não se confirmou. Após o episódio, quatro integrantes do grupo chegaram a ser presos e depois liberados no dia 2 de abril, passando a responder ao processo com medidas cautelares.
Para Rogério Ribeiro, presidente da Rede Brasileira de Povos Ciganos, o caso evidencia o preconceito histórico enfrentado por comunidades ciganas no Brasil.
“Eles estavam trabalhando, vendendo seus produtos, mas o uso da tornozeleira fez com que a população associasse novamente ao caso anterior. Isso mostra como somos marginalizados e criminalizados”, destacou.
Carlos Jardel

