Kleber minimiza críticas e ignora histórico do Hospital Deputado Murilo Aguiar - Revista Camocim

domingo, 29 de março de 2026

Kleber minimiza críticas e ignora histórico do Hospital Deputado Murilo Aguiar



O vereador Kleber Veras subiu à tribuna da Câmara na ultima sexta-feira (27) para defender o Hospital Deputado Murilo Aguiar após a repercussão de uma interdição parcial registrada durante fiscalização do Consleho Regional de Medicina - Coren. Lembra? Segundo ele, a unidade já vinha se adequando às exigências dos órgãos de controle, e as pendências apontadas foram resolvidas ainda no mesmo dia, com regularização confirmada em nova vistoria realizada na semana seguinte. O parlamentar garantiu que não houve prejuízo no funcionamento do hospital e destacou o trabalho dos profissionais de saúde. Até ai tudo bem. Afinal de contas faz parte rebater as criticas e apresentar justificativas. Isso até fortalece o debete.


Mas o discurso vai além da explicação técnica e entra no campo político. Kleber Veras criticou duramente a repercussão negativa do caso, afirmando que houve tentativa de desestimular a população a procurar atendimento na unidade. Também resgatou episódios passados, como tentativas de fechamento e até propostas de construção de um novo hospital, tratando essas iniciativas como parte de uma lógica de “quanto pior, melhor”.


É aí que o argumento começa a perder força. Porque classificar críticas como tentativa de prejudicar o hospital ignora o fato evidente de que elas (as criticas) existem porque há problemas, ou, no mínimo, percepções de falhas, no serviço. 


É popular, por exemplo, o apelido de "matadouro", "curral eleitoral dos Aguiar", "máquina de produzir votos", dentre outros. Existem também registros na internet e no wahtsApp de desabafos pesados de camocinenses depondo contra o referido hospital.


Ora, parte da população já demonstrou insatisfação com o atendimento em diferentes momentos, o que ajuda a explicar a repercussão negativa sem precisar recorrer à ideia de conspiração ou má intenção.


Da mesma forma, questionar a existência de propostas para um novo hospital soa mais como incômodo político do que como defesa da atual estrutura. Afinal, propor outra unidade de saúde não é, por si só, um ataque, pode ser, inclusive, um indicativo de que a demanda da população não está sendo plenamente atendida. E não está. É fato e ponto final. 


Outro ponto que não pode ser ignorado é o histórico do Hospital Deputado Murilo Aguiar, que, inclusive, já esteve no radar da Polícia Federal em investigação relacionada a Fraude no SUS.  Esse tipo de episódio naturalmente impacta a confiança da população e ajuda a entender por que qualquer problema ganha repercussão.


Então Kleber, ao tentar reduzir o debate a uma disputa entre “quem torce contra” e “quem defende”, vossa exêlecia simplifica uma realidade mais complexa. O hospital é, sem dúvida, essencial para Camocim e região, e seu funcionamento precisa ser garantido. Mas isso não elimina o direito, e nem a necessidade de crítica, cobrança e transparência.


Ignorar os problemas, ou tratar toda crítica como ataque, não melhora o serviço, só adia discussões que a população já está fazendo há muito tempo.


Carlos Jardel