O que aconteceu com o cantor Raul Soeiro no Capistrano, durante o Carnaval 2026, e viralizou nas redes, não foi o desgaste da sua imagem artistica. Foi uma ocasião para exaltação de suas virtudes. O que viralizou foi a cena de um artista no palco, já de madrugada, e uma plateia que não chegava a duas dezenas de pessoas. Imagens que circularam rapidamente, gerando muitos comentários e, como sempre acontece na internet, nem todos foram justos.
Mas quem conhece Raul sabe que aquela cena não define sua história.
Eu conheço o Raul desde o início da sua trajetória, aqui mesmo em Camocim. Vi os primeiros passos, os palcos menores, os eventos simples, o esforço constante e tantas outras coisas que ninguem imagina. Ele nunca foi movido por vaidade, sempre foi movido por amor à música. Talentoso, afinado, carismático e, acima de tudo, profissional.
Naquela noite, ele fez o que os grandes fazem, cantou como se estivesse diante de uma multidão. Porque artista de verdade não escolhe plateia. Honra o microfone, respeita o público, seja ele dez, cem ou dez mil pessoas.
É fácil rir de um palco vazio. Difícil é subir nele e dar o melhor de si mesmo, mesmo quando o retorno imediato não vem. Raul fez isso. E isso diz muito mais sobre ele do que qualquer vídeo que tenha viralizado.
O tempo costuma ser justo com quem persevera. E talento, quando é verdadeiro, encontra seu caminho.
Raul Soeiro não cantou para ninguém. Cantou para a própria história.
Carlos Jardel

