De longe, Eduardo Bolsonaro quer manter cargo público e chama obrigação de “perseguição” - Revista Camocim

sábado, 3 de janeiro de 2026

De longe, Eduardo Bolsonaro quer manter cargo público e chama obrigação de “perseguição”



Eduardo Bolsonaro voltou ao discurso de vitimização ao reagir à decisão da Polícia Federal que determinou seu retorno ao cargo de escrivão, função para a qual foi aprovado em concurso, mas que hoje ele afirma não ter condições de exercer, porque decidiu morar nos Estados Unidos.


Objetivamente, o caso é simples: perdeu o mandato de deputado por faltas, o afastamento da PF acabou e, como qualquer servidor público, precisa voltar ao trabalho ou arcar com as consequências administrativas. Ainda assim, Eduardo trata o cumprimento das regras como ataque pessoal e perseguição política.


O paradoxo chama atenção. Ao mesmo tempo em que diz não poder pisar no Brasil, exige manter salário, aposentadoria futura, porte de arma e até a pistola funcional. Em outras palavras, quer os benefícios do Estado brasileiro sem a obrigação básica de estar presente e trabalhar para ele.


A ironia maior está no discurso recorrente contra “privilégios” e “mamatas”, enquanto luta para preservar um cargo público que admite não conseguir exercer. Para Eduardo Bolsonaro, parece que dever funcional virou opressão, e regra administrativa, complô.


Carlos Jardel