Conta de energia pode ficar mais cara nos próximos meses com acionamento de termoelétricas - Revista Camocim

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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Conta de energia pode ficar mais cara nos próximos meses com acionamento de termoelétricas



A bandeira tarifária em vigor na conta de luz de todo o Brasil está verde desde abril de 2022, mas a situação pode mudar nos próximos meses. Com o acionamento das termoelétricas causado pela onda de calor, a energia elétrica pode encarecer no País, segundo especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste. Além disso, essa alta está diretamente condicionada a fatores climáticos. 


O consumo de energia elétrica vem, dia após dia, batendo recordes em todo o Brasil. No último dia 13 de novembro, às 14h17, pela primeira vez na história, a utilização ultrapassou a marca dos 100 mil megawatts (MW) no território nacional. No dia seguinte, novo pico: 101,4 mil MW às 14h20.


As altas temperaturas, sobretudo no Sudeste e Centro-Oeste - regiões que compõem o principal subsistema consumidor de energia no Brasil - elevaram o consumo de energia elétrica. Em virtude da sobrecarga do sistema, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) adotou algumas medidas.


A principal delas foi aumentar o consumo oriundo de termelétricas, que geram eletricidade a partir da queima de combustíveis fósseis, como carvão mineral e gás natural, e são mais caras do que métodos mais limpos, como hidrelétricas e usinas eólicas e solares.


CONSUMO CRESCENTE


Por ora, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não deu indícios que, a curto prazo, deve mudar a situação da bandeira tarifária na conta de energia. Apesar do maior acionamento das termelétricas, continua vindo das águas o maior montante de geração de eletricidade no País.


Mais de 50% de toda a capacidade instalada de geração de energia é oriunda das hidrelétricas. Ao todo, são 1.430 usinas de produção de eletricidade a partir da força das águas.


Os dados são do último Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico Brasileiro, divulgado em setembro pelo Ministério de Minas e Energia. 


A capacidade total instalada do Brasil foi de 219,8 GW, recorde histórico. O consumo mensal, antes do pico de novembro, também tinha sido o maior de todos os tempos: 97,6 GW - 44,4% da capacidade.


O ranking de geração de energia leva em conta quatro matrizes energéticas: eólico, hidráulico, solar e térmico. Os números se referem à capacidade instalada, isto é, o máximo que cada um dos tipos podia produzir até o balanço.


Hidrelétricas: 50,5% (110 GW);

Térmicas: 22,2% (48,7 GW);

Solar: 15% (32,5 GW);

Eólica: 12,3% (27,1 GW).


As usinas termelétricas incluem aquelas que usam como combustíveis gás natural, biomassa, petróleo, carvão mineral e materiais nucleares, além de outros fósseis.


POR QUE USAR AS TÉRMICAS?


Dos dez principais reservatórios que compõem o Sistema Interligado Nacional (SIN) de energia elétrica, nove estão com mais de 65% do armazenamento, o que configura situação confortável perante à geração de eletricidade a partir das hidrelétricas.


Mesmo com a situação nos principais reservatórios que compõem o SIN indicando que há água suficiente para gerar energia mesmo durante os picos históricos de consumo, o ONS optou por acionar mais as termelétricas.


Às 14h47 desta terça-feira (21), no balanço de geração de energia do Operador Nacional, o Brasil estava produzindo 95,3 GW de energia para o SIN. Desse total, cada matriz era responsável por:


Hidrelétricas: 58,5%

Solares: 17,6%

Termelétricas + usinas nucleares: 12,7%

Eólicas: 11%


O restante vinha de importação de países vizinhos, como Argentina, Paraguai e Uruguai.


Essa aumento na demanda pelas térmicas pode ser explicado para manter a estabilidade do fornecimento de eletricidade em todo o País, como explica Bernardo Santana, diretor de regulação do Sindienergia-CE. 


"As térmicas de base são acionadas para manter a curva de geração perene, para não ter oscilações e quedas de energia durante o dia, e é o que algumas situações vêm acontecendo em alguns estados do Brasil. É o ONS quem aciona as térmicas para que a energia seja constantemente entregue aos brasileiros", aponta.


Como a energia renovável - eólico e solar - está sujeita às variações do clima e com as altas temperaturas em todo o Brasil mesmo antes do verão na parte sul do País, as térmicas são uma alternativa rápida para suprir a necessidade crescente por energia.


Isso acontece principalmente no fim da tarde, onde a eletricidade fica mais cara em razão do pico do consumo. Nesse mesmo momento, cai a produção de energia solar, justo durante o aumento da utilização do sistema.


A CONTA FECHA?


A metodologia utilizada pelo ONS prevê uma espécie de balanceamento: mesmo com o bom nível dos reservatórios, é preciso acionar mais as termelétricas em função dos picos históricos de consumo energético.


Isso acontece por precaução da Aneel, de acordo com Raphael Amaral, professor do departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Ceará (UFC).


Ele pondera que, para evitar que o nível dos reservatórios baixe depressa em razão da alta demanda por eletricidade nos últimos dias, é preciso recorrer a outras matrizes energéticas, sendo o térmico o que dá o retorno mais rápido e eficaz para o SIN.


"O ONS está dosando, acionando as termelétricas, não gastando muito o nível da água para que tenha suficiente para passar pelo período de seca. O ONS sempre procura manter um balanceamento no despacho das usinas para que não tenha o desequilíbrio, preços muito baratos agora e mais caros lá na frente. O objetivo é manter um preço razoável constante", diz.


Embora ainda não haja a confirmação da Aneel de mudança na bandeira tarifária, Raphael Amaral infere que o preço da energia para os consumidores deve realmente ficar mais caro, principalmente por causa do clima, que deve continuar pressionando o ONS para acionar mais as térmicas.


O SIN é muito dependente da questão do clima, já que é um grande sistema hidrotérmico. Apesar de termos avançado nas energias alternativas, somos ainda muito dependentes das hidrelétricas e das térmicas. Se há previsões climatológicas ruins, sim, o acionamento das termelétricas vai aumentar aos poucos e a tendência é de que o custo vá subindo.

RAPHAEL AMARAL

Professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFC


A previsão de especialistas climáticos é de que, em dezembro, que marca o início oficial do verão no Brasil, os termômetros continuem passando dos 40ºC. No domingo (19), Araçuaí, no interior de Minas Gerais, teve a maior temperatura já registrada na história do País: 44,8ºC.


E NO CEARÁ?


O Brasil, ao todo, tem quatro subsistemas subordinados ao SIN. São eles:


  • Norte (composto pelos estados do Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Roraima* e Tocantins);
  • Nordeste (composto pelos estados da Região Nordeste, exceto o Maranhão);
  • Sudeste/Centro-Oeste (maior e principal subsistema do País. Composto pelos estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste mais Acre e Rondônia);
  • Sul (composto pelos estados da Região Sul).

*Apesar de aparecer como componente do subsistema Norte, Roraima é o único estado do País fora do SIN. A energia para o local provém principalmente de 18 usinas termelétricas movidas sobretudo a diesel.


O subsistema Nordeste se destaca, apesar de ter alguma das principais usinas hidrelétricas do País, principalmente na bacia do Rio São Francisco, por ser o que a energia a partir da força das águas fica em segundo lugar na geração.


A eletricidade oriunda das usinas eólicas é a principal carga feita pelo Nordeste ao SIN. A produção de energia a partir dos ventos na região é diariamente maior do que todos os outros subsistemas somados.


No Ceará, um dos principais estados do Brasil produtores de energia eólica, ainda há usinas termelétricas, sobretudo no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). Até o momento, elas não foram acionadas.


Independentemente do cenário de abundância de fontes renováveis de eletricidade, os cearenses podem observar o aumento no preço da energia, como argumenta Joaquim Rolim, secretário-executivo da Indústria da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará e coordenador da Câmara Temática de Energia do Consórcio Nordeste.


"Os custos adicionais pelo uso de termelétricas pode sim encarecer os custos com energia elétrica, pela aplicação das chamadas bandeiras tarifárias. Tais custos, quando ocorrem são compartilhados por todos os consumidores cativos de energia elétrica no País", salienta.


É o que também confirma Bernardo Santana. Com exceção de Roraima, todos os estados do Brasil pagam juntos a conta pelo acionamento de termelétricas, bem como demais despesas referentes à produção de energia.


"O sistema é todo interligado, então não quer dizer que só porque ligou a térmica no Ceará, vai aumentar exclusivamente a conta de energia dos cearenses. Isso pode ocorrer também por térmicas de outros estados, que oneram o Brasil como um todo, é uma conta conjunta que todos os estados pagam rateados", expõe. 


ALTAS TEMPERATURAS = ENERGIA MAIS CARA


Os três especialistas concordam que, pelo menos por enquanto, o preço da energia em todo o Brasil deve se manter estável. A médio e longo prazos, porém, o cenário deve mudar.


O fenômeno climático El Niño, que causa o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e contribui para elevar as temperaturas em grande parte do País, deve ficar ainda mais intenso em dezembro, início oficial do verão no Hemisfério Sul.


Pela perspectiva de baixo índice de chuvas e maior demanda no SIN, Raphael Amaral exemplifica o acionamento das térmicas feito pelo ONS: "o que posso conjecturar que existe uma previsão de que haja seca futuramente, ano que vem é ano de El Niño". 


Com cada vez mais extremos climáticos, no entanto, o professor de Engenharia Elétrica avalia que há certa imprevisibilidade acerca de possíveis recargas dos reservatórios de geração de eletricidade.


"Em um olhar mais a médio a longo prazo, se tiver chuvas constantes, reservatórios se mantendo em um nível considerado ideal, que o despacho vai ser majoritariamente vindo de hidrelétricas, os custos vão se manter ou ter pequenas quedas", projeta.


Bernardo Santana relembra ainda que o preço da conta de energia, pelo menos até 2026, deve continuar sofrendo ainda os efeitos da pandemia de Covid-19.


O diretor de regulação do Sindienergia-CE recorda que o Governo Federal manteve o preço da eletricidade para evitar que famílias com dificuldades financeiras tivessem o fornecimento de energia cortado, no chamado "custo Covid".


Para isso, deu suporte às distribuidoras, que com o fim da emergência sanitária, diluíram o custo para a população ao longo dos anos seguintes, começando a partir de 2022. Com a possível mudança na bandeira tarifária, o custo pode ficar ainda maior.


Até 2026, está sendo pago parcelado na conta dos brasileiros. Fora isso, o acionamento das térmicas pode acontecer caso os níveis dos reservatórios continue sendo consumido em função também dessa oscilação de temperatura que a gente está vendo. Quanto mais térmicas ligadas, em algum momento pode vir a ser acionada as bandeiras e aumentar a conta de energia dos brasileiros.

BERNARDO SANTANA

Diretor de regulação do Sindienergia-CE


Para minimizar que as térmicas sejam acionadas em momentos de pressão no SIN, Joaquim Rolim defende o maior uso de fontes renováveis, a exemplo do que ocorre no subsistema Nordeste atualmente.


"O que se espera é a ampliação do uso das energias renováveis, que têm menor custo, e também ampliação da diversidade de fontes energéticas, por exemplo a energia eólica offshore, e com o aumento esperado de linhas de transmissão de energia, poderemos ter menores custos e impactos ambientais", finaliza.


Diário do Nordeste