Derrota do PDT mostra peso da desavença entre os Ferreira Gomes e põe em xeque liderança da família - Revista Camocim


Clique na imagem e conheça nossos produtos e ofertas

Clique na imagem e conheça nossos produtos e ofertas


Clique na imagem e fale com a gente

Em Camocim, hospede-se nos hotéis Ilha Park e Ilha Praia Hotel. Clique na imagem e faça sua reserva




segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Derrota do PDT mostra peso da desavença entre os Ferreira Gomes e põe em xeque liderança da família



No dia 17 de julho passado, véspera da convenção do PDT para definição do candidato ao governo do Estado, o prefeito de Sobral, Ivo Ferreira Gomes, irmão mais novo da família com maior influência na política cearense, resolveu, em entrevista a esta coluna, expor algo raro, porém significativo para o momento: uma desavença pública que deixou em lados opostos, ele e os irmãos Cid e Ciro Gomes. 


Naquela oportunidade, o gestor revelou a esta coluna o desejo de que Izolda Cela fosse escolhida candidata à reeleição no Estado, o que significaria a manutenção da ampla aliança que deu sustentação aos governos Cid e Camilo, com PT e os demais partidos.  


Além disso, Ivo confirmou que o irmão Cid pensava o mesmo e por isso havia se distanciado do processo de definição da candidatura. Naquela altura, já se sabia que a votação do dia seguinte escolheria Roberto Cláudio como candidato. 


Olhando para trás, neste momento, em que o resultado das urnas já saiu, é possível compreender o peso da declaração do prefeito e o que ela justificou para os fatos que vieram a seguir. Um cenário de desgaste para a família Ferreira Gomes e uma nuvem de dúvida sobre o futuro da liderança de seus membros no Estado. 


Escolhido com a bênção de Ciro, Roberto Cláudio teve que lidar o tempo inteiro com uma divisão interna do Partido, com divergências entres os deputados da legenda e, principalmente, com a ausência de Cid Gomes em todo o processo. 


RESULTADO AMARGO


O resultado nas urnas, um amargo terceiro lugar, para um partido que detém a hegemonia no Estado, é um reflexo das divergências internas no partido, mas principalmente na família, que até agora manteve a dianteira no processo. 


Rompido com a maioria dos aliados e com os irmãos, Ciro Gomes viu derreter o seu capital político em âmbito nacional, saindo de um resultado com 13 milhões de votos em 2018, ficando em terceiro lugar, para uma tímida contabilidade de 3 milhões de votos, amargando um quarto lugar, atrás inclusive de Simone Tebet (MDB). 


Entretanto, se olharmos para o Ceará, o cenário é ainda mais desolador para o candidato a presidente pelo PDT. Com pouco mais de 360 mil votos, cerca de 6% do total, Ciro amarga um terceiro lugar, bem distante de Lula e Bolsonaro, vendo o petista vencer em todos os 184 municípios cearenses.


Na disputa ao Estado, Roberto Cláudio, aliado dele, terminou em terceiro lugar, com 14% dos votos. Tendo perdido para os dois concorrentes, inclusive em Fortaleza e Sobral, os dois maiores municípios comandados pelo partido. 

Some-se a este cenário, a derrota do fiel escudeiro da família, Leônidas Cristino para a Câmara dos Deputados. Nem a vitória da irmã, Lia Gomes, para a Assembleia Legislativa é capaz de deicar em evidência a crise na família. 


No dia voto, em entrevista, Cid preferiu não comentar as declarações do irmão mais velho de que se sentiu traído por ele e por Ivo. Disse o seguinte: “problema de família, se trata em família”.  


Fora do problema particular dos irmãos, o que resta saber é: qual a influência da família no novo ciclo de liderança que começa no Ceará? 


Diário do Nordeste