Luta antimanicomial: sem sentido a Secretaria da Saúde se manifestar em prol da saúde mental mas deixando a desejar no atendimento ao público. - Revista Camocim

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sexta-feira, 20 de maio de 2022

Luta antimanicomial: sem sentido a Secretaria da Saúde se manifestar em prol da saúde mental mas deixando a desejar no atendimento ao público.


Segue a informação sobre o evento, postado pela Secretaria da saúde e abaixo a nossa alfinetada


A Secretaria Municipal de Saúde realizou  com o CAPS II e CAPS AD  uma manifestação na Praça Pinto Martins alusiva ao  Dia Nacional da Luta Antimanicomial, 18 de Maio,  com a participação dos profissionais dos CAPS’s, dos Residentes da Escola de Saúde Pública do Ceará e dos técnicos da Secretaria Municipal de Saúde.


Na ocasião foram ministradas Palestras educativas, orientações aos cidadãos, aferição da pressão arterial e teste de glicemia e blá blá blá



Alfinetada


A luta antimanicomial é de natureza reivindicatória por melhorias na saúde pública, para tratar com  dignidade  as pessoas com problemas de saúde mental. E o que a Secretaria da Saúde de Camocim fez no dia 18, foi simplesmente promover, com seus funcionários, um ato meramente informativo a respeito da quebra de preconceitos sobre as doenças mentais e as formas de tratamento oferecido em Camocim pelos CAPS II e  AD. Até aqui tudo bem, pois é preciso esclarecer a população sobre essas questões, porque no final das contas ainda existem muitos "tabus a serem quebrados" na sociedade a respeito deste tema. Porém, foi um evento sem muita razão de acontecer da forma como aconteceu. Explico nas linhas a seguir.


1. A manifestação faria mais sentido se fosse realizada pelas famílias das pessoas que enfrentam problemas mentais, principalmente as que são tratadas pelos CAPS. Elas sim,  deveriam sair às ruas se manifestando, revindicando um melhor atendimento, mais digno, mais humano, cobrando a gestão municipal, denunciando a constante falta de medicamentos — situação que tanto prejudica o tratamento dos pacientes e de suas respectivas famílias, a maioria pobre e desempregadas, sem condições de arcarem com o tratamento.

Além da falta de medicamentos, os centros carecem de mais profissionais e até mesmo de uma melhor estrutura física. Neste caso, a manifestação precisaria ser feita por populares cobrando mais  psicólogos, terapeutas, psiquiatrias, enfermeiros e técnicos, bem como  melhores e confortáveis espaços de atendimentos. 


E falando de estrutura, cabe a pergunta: quando o CAPS 24h vai funcionar? 


Se atente: quando uma pessoa sofre um surto psicótico em Camocim, o episódio acaba revelando a total fragilidade do sistema de atendimento aos pacientes com problemas de saúde mental [É um verdeiro Deus nos acuda!]: dependendo do horário, o paciente é normalmente levado ao Hospital Deputado Murilo Aguiar — que não conta com profissionais específicos para os casos —, toma um forte tranquilizante — chamado "sossega leão" —,  até se controlar para posterior acompanhamento, Deus sabe quando, por um raro psiquiatra de um dos centros especializados.


A proposta mentirosa do CAPS 24h, apresentada pela ex-prefeita Monica, que teve a cara de pau de inaugurar o equipamento, no dia 1 de julho de 2016,  com presença de celebridades do governo do Estado,  seria para atender as demandas emergenciais de internamentos e casos menos complexos.


A prefeita, na época, enchia a boca contando a mentira, afirmando que o equipamento seria "o único do interior do estado com uma ala só para internamento". 

Bom, mas, como se tratava de uma mentira...


2. Considerando o que coloquei nas linhas acima, e mais uma enxurrada de reclamações de familiares de pacientes, podemos afirmar sim, foi um evento "cara de pau"! Pois, não expressou, de forma alguma, os anseios de melhorias na estrutura que atende a população, mas, sim, a falsa impressão de preocupação  do governo municipal com a questão da saúde mental. 


Sendo assim, é preciso ter muita cara de pau  para sair às ruas e descaracterizar um evento tão importante como esse, vendendo uma ideia e, na prática, oferecendo outra. 


Carlos Jardel