Se jesus estivesse entre nós hoje, 33 anos, seria compreendido ou crucificado? - Revista Camocim



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terça-feira, 26 de abril de 2022

Se jesus estivesse entre nós hoje, 33 anos, seria compreendido ou crucificado?

 



Por Paulo Emanuel Lopes*


Semana passada vivenciamos a Semana Santa 2022. O período rememora a morte e ressurreição de um homem há cerca de 20 séculos, história que inspirou a criação da religião com mais adeptos no mundo, o Cristianismo.


É bonito ver todas as discussões, missas, cultos, espetáculos teatrais relembrando aqueles últimos dias de Jesus. Mas não creio que muitos desses cristãos entendem o real significado daquilo que estão adorando. Muitos, aliás, hoje defenderiam sua crucificação, afastados de Deus por seguirem ideias inspiradas pelos homens, longe do Eterno Imutável. “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” Mateus 7:21.


Vamos, então, refletir um pouco sobre como “a vontade de meu Pai” estaria presente na Páscoa de Jesus.


A pergunta básica que faço é: se Jesus curou doentes, repreendeu os ventos, mandou o mar se aquietar e até ressuscitou mortos, porque não impediu todo o processo de humilhação que passou? Inclusive repreendeu a Pedro, que tentou ajudá-lo.


Outra questão: se ele tinha tanto poder, porque não juntou riquezas para alimentar os pobres? Não liderou multidões contra a opressão de Roma? Não deixou leis escritas mais justas?


Acontece que seu Reino não era desse mundo (João 18:36).


Penso eu que Jesus, que teria sido o homem mais elevado a viver entre nós, ao ponto de ser chamado filho “primogênito” de Deus, quer que, com seu gesto de amor tão grande, entendamos, na prática, o que significa “os últimos serão os primeiros” (Mateus 19:30).


É como se ele estivesse nos preparando para todo esse sofrimento que vivemos hoje, uns mais, outros menos: se até eu fui capaz de suportar essa cruz, você também é capaz de enfrentar toda provação de cabeça erguida, com confiança na bondade de Deus.


Nosso mundo de hoje sofre, sim, mas de tudo podemos tirar boas lições. A Páscoa, por exemplo, pode nos mostrar que, mesmo no dia mais triste de sua história, Jesus foi também vencedor de uma luta de tempo incontável sobre o mal, ao retornar triunfante da própria morte.


Ele não deixou nada escrito. Sua Bíblia é sua vida. Ensinou através de parábolas simples mas, principalmente, através do exemplo. E morreu pela ousadia de seus gestos.


O Rei e Salvador entrou triunfante em Jerusalém a bordo de um jumentinho. Seus fiéis não carregavam estandartes de luxo, mas ramos de plantas.


Jesus trouxe as mulheres para próximo de si, dando a elas a mesma oportunidade dos homens de aprenderem e ensinarem. Num tempo em que elas eram propriedade de seus pais, depois de seus esposos.


Era proibido fazer qualquer trabalho no sábado, segundo a lei dos Judeus. Mas Jesus mostrou que, para curar um ser humano, essa lei não deveria ser aplicada, já que a bondade do gesto superaria o formalismo (lição importante para homens que usam a lei bíblica para condenar os que não lhe agradam).


Em seu papado, Francisco toca muito no tema da Misericórdia e abre a Igreja a novas discussões, pela mesma razão que Jesus curou no sábado: a bondade do ato é mais importante que o formalismo da Lei. Se Jesus não excluiu ninguém do caminho da salvação, quem somos nós para julgarmos?


Para os Judeus, a riqueza era um dom e presente de Deus. Para Jesus, porém, era mais fácil um animal passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. Porque a riqueza que ele esperava nos homens estava no coração: “os mansos herdarão a Terra”; “amai ao próximo como a ti mesmo”; “os que não têm pecado que atirem a primeira pedra”.


Eu entendo, com isso que ele não condenava o trabalho, o esforço, mas a avareza. Porque um rico pode ser manso, caridoso e misericordioso com o próximo, assim como um pobre pode ser violento, egoísta e impiedoso. A questão não está em ser ou não rico, mas nos pensamentos que rondam o coração.


"Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.” Mateus 7:1-2


Em tempos que igrejas tornam cristãos milionários e bilionários mundo afora, observem como muitos tratam de manter viva a presença de um inimigo. Porque se os líderes não disserem aos seus seguidores que eles correm perigo, qual a motivação para seguirem participando da Igreja?


Para uns o perigo é o comunismo, para outros é um beijo gay, para outros é a lei Rouanet. Defendem que a salvação está em tirar o pecado do mundo, quando, pelo menos para mim, está em tirar o pecado (maus pensamentos) de nós mesmos.


São reflexões que a Páscoa me inspira a compartilhar.


*É Jornalista e Publicitário.