'Nunca tive uma árvore de Natal em casa', diz menino fotografado após achar pinheiro no lixão - Revista Camocim

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

'Nunca tive uma árvore de Natal em casa', diz menino fotografado após achar pinheiro no lixão



Esta semana, fotos que mostravam um menino recolhendo um pinheiro natalino do lixo e o levando para casa viralizaram nas redes e emocionaram. O Fantástico foi até o lixão de Pinheiro, no Maranhão, onde as imagens foram feitas, para saber mais dessa história. Gabriel da Silva, o menino clicado, tem 12 anos e sonha em ser jogador de futebol. Ele estuda pela manhã, mas ajuda a mãe, que é catadora, à tarde.


"Nunca tive uma árvore de Natal em casa", conta Gabriel, que se surpreendeu com a repercussão de sua história.



O responsável pelo imenso alcance que a história alcançou foi o Padre Júlio Lancellotti. Ele postou as fotos em suas redes sociais após recebê-las do autor, o fotógrafo paraense João Paulo Guimarães.


"Eu estava fotografando. De repente, vi o Gabriel puxar de dentro da sacola uma árvore de Natal. E final de ano e com a pandemia acontecendo, as coisas tem sido tão difíceis, né? Na hora eu olhei aquilo ali, ele puxando aquela árvore, bateu aquela consciência do que estava acontecendo, e comecei a chorar", relembra João.


Esta semana, João e o defensor público Eurico Arruda — que postou um vídeo que acabou levando o fotógrafo até o lixão de Pinheiro — voltaram ao local com a equipe do Fantástico. O advogado chama atenção para a situação de Gabriel e da família dele, que é a de muitos outros brasileiros:


"Essas pessoas estão invisíveis. Elas estão excluídas. Isso é uma afronta à dignidade humana: você se deparar com pessoas que estão vivendo abaixo da linha da miséria. Isso nos choca como seres humanos. Nós temos a missão de buscar justiça social para essas comunidades."


No Brasil, diariamente, 35 mil toneladas de lixo vão direto para lixões. Onze anos após a criação da Lei de Resíduos Sólidos, que regulamenta o descarte e prevê a criação de aterros sanitários, ainda há mais de 2,6 mil lixões totalmente irregulares no país. No Maranhão, dos 217 municípios, apenas 11 descartam o lixo que produzem em aterros sanitários. Isso significa que 95% das cidades ainda dependem dos lixões. 


G1 da Globo/Fantástico