A última composição de Marília Mendonça: seja justo, ame e realize seus sonhos agora - Revista Camocim

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sábado, 6 de novembro de 2021

A última composição de Marília Mendonça: seja justo, ame e realize seus sonhos agora

 



Por Paulo Emanuel Lopes*


Na tarde de ontem, sexta (05/11), a cantora Marília Mendonça nos deixou. Sua trajetória artística foi interrompida após um trágico acidente de avião, que vitimou ainda 4 outras pessoas. A perda de um ente querido, famoso ou não, é uma dor dilacerante, ainda mais na idade de 26 anos. Que Deus abençoe sua família, amigos e fãs, e lhes dê força neste momento tão difícil.


Um falecimento é sempre muito chocante, ainda mais o de uma pessoa jovem, que tinha tanta carreira e sucesso pela frente. Mas até nesses momentos difíceis, ou principalmente nestes, é que conseguimos pensar sobre nossas próprias vidas e escolhas. Não podemos trazer de volta a garota que musicou a vida de muitos brasileiros, mas podemos viver esse luto coletivo refletindo sobre quão pequenos somos - independente do dinheiro e prestígio que temos em mãos. Literalmente, é na hora da morte que todos se igualam.


Certa vez entrevistei, pelo O POVO, o dr. Cândido Pinheiro. O médico é fundador e acionista do grupo Hapvida, uma das maiores operadoras de planos de saúde do País, que o transformou em um homem (muito) rico. Nasceu numa fazenda em Quixadá, sertão do Ceará, em uma família que formou 4 filhos médicos. Apesar da conta bancária com tantos zeros à direita, dr. Cândido transpareceu serenidade, humildade e simplicidade. Quando lhe perguntei se, após tantas conquistas, ele achava que tinha alcançado tudo na vida, me respondeu algo nesse sentido:


“Eu não tenho nada, meu filho. Tenho nem a minha própria vida. Se amanhã Deus quiser que eu amanheça sem respirar, assim será feito. Então nós não temos nada na vida, a não ser a própria vida que a gente leva.”


Muitos aproveitariam a oportunidade para desfilar arrogância e alimentar o ego, mas ele não, preferiu focar em como somos pequenos diante do Todo Universal, independente da posição social em que nascemos ou conquistamos na vida. Se nos fazemos pequenos, sinal que temos muito a conquistar; se já nos sentimos grandes, ficamos sem ter para onde crescer.


Já ouvi pessoas dizendo que gostariam que a morte não existisse. Esse é um debate gostoso, e eu me saio rápido com essa: “Já pensou se a gente não morresse? Viver ao infinito, que chato!” A morte é um processo muito doloroso, mas contraditoriamente, é ela quem dá sentido à nossa vida. É como aquela história: para haver a luz é necessário, também, existir a escuridão. 


Se somos limitados, se um dia isso tudo vai ter fim, cabe a nós escolhermos se vamos lutar pelos nossos sonhos, viver intensamente a vida, ou só esperar o tempo passar, já que “amanhã eu posso fazer”. Sei que vivemos tempos muito difíceis, e em termos econômicos e sociais, nem consigo ver horizonte de melhora. Mas, ainda assim, essa é a vida que temos e precisamos valorizá-la!


Em Apocalipse, capítulo 3, o Espírito manda cartas, através de João, para os sacerdotes das primeiras igrejas cristãs. Em um trecho, repreende um deles: “E ao anjo da igreja de Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; QUEM DERA FORAS FRIO OU QUENTE! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” (Apocalipse 3:14-16)


Seja frio ou seja quente! Aproveitemos a vida enquanto a temos! E com isso não estou estimulando a falta de responsabilidade ou a anarquia, mas atos simples como não ficar dizendo que a vida tá difícil, porque amanhã pode ser que você nem tenha uma para reclamar. Não perder tempo vigiando a vida do outro, é melhor gastar nossos preciosos respiros conosco mesmos. Não deixe de viver um sonho por medo. Se não dá para realizar, tudo bem, aceite que nem tudo na vida é possível. Agora, se a única coisa que o impede de realizá-lo é o medo, encare-o mesmo assim. Pode ser que amanhã você não tenha nem a oportunidade de tentar.


Tenho certeza de que pessoas como o dr. Cândido e Marília Mendonça só atingiram o ápice da carreira, tornando-se conhecidos nacionalmente, porque trabalharam e se esforçaram muito. Porque decidiram encarar seus medos e angústias para acreditar em um sonho. E venceram.


A vida é curta, e saber disso dá mais vontade de viver. Vejo essa mensagem positiva como a última composição de Marília.


Que a Paz desça sobre essas famílias que perderam entes queridos. Que Deus abençoe a todos os que partiram dessa vida na esperança da ressurreição. Que assim seja.


*É Jornalista e Publicitário. Escreve às sextas.

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