Duas delegadas e 24 inspetores são denunciados por crimes como tortura e associação criminosa no Ceará - Revista Camocim

















sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Duas delegadas e 24 inspetores são denunciados por crimes como tortura e associação criminosa no Ceará

Segundo a denúncia do Ministério Público do Ceará, estão incluídos outros crimes como extorsão e tráfico de drogas. Os promotores pediram as prisões dos policiais que atualmente estão lotados em diversas delegacias


O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou 26 policiais civis do Ceará e outras seis pessoas (lista abaixo) por participarem de um esquema que envolvia crimes como tortura, tráfico de drogas, corrupção, extorsão, abuso de autoridade, peculato, prevaricação e associação criminosa. Dentre os acusados há duas delegadas que durante anos estiveram à frente da Delegacia de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD).


A reportagem do Diário do Nordeste teve acesso à denúncia, que é parte de uma investigação sigilosa. A peça de 298 páginas é assinada por seis promotores e traz detalhes do esquema. Segundo o órgão ministerial, policiais civis e informantes populares faziam parte de uma "estrutura ordenada e institucionalizada, com diferentes níveis de relacionamento e de distribuição de tarefas, direcionada à obtenção de vantagens" o que, quando é feito de forma ilícita, se configura como organização criminosa.


A investigação durou pelo menos três anos e a denúncia foi apresentada no último dia 18 de agosto de 2021. Dentre os pedidos feitos pelo MP ao Poder Judiciário estão requerimentos de busca e apreensão nas residências dos denunciados, suspensão do exercício de função pública direcionada aos agentes (alegando que os acusados possuem grande influência no Sistema de Segurança Pública do Ceará), quebra do sigilo telemático dos materiais apreendidos, afastamento do sigilo bancário e fiscal e até mesmo prisões.


A Assessoria Jurídica da Associação dos Delegados de Polícia do Ceará (Adepol), que faz a defesa das delegadas denunciadas, representada pelo advogado Leandro Vasques, disse que vai aguardar ter acesso aos autos para se pronunciar objetivamente sobre a denúncia. "Somente quando nossas constituintes forem citadas iremos rebater uma a uma as acusações. Acreditamos que um grave ruído de comunicação possa estar havendo. Para ficar num solitário exemplo: Interpretações elásticas de diálogos de WhatsApp são um convite ao fazimento de injustiças", disse Vasques, que completa "as delegadas denunciadas sempre pautaram suas ações na régua da estrita legalidade".


Por nota, o Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpol/CE) disse ter protocolado pedido de acesso ao processo para tomar conhecimento dos fatos. Conforme o coordenador jurídico do Sindicato, Kaio Castro, até o fim da tarde dessa quarta-feira (22), eles não tinham conhecimento de nenhuma decisão judicial que tenha recebido ou não a denúncia do Ministério Público. "O que sabemos é que o processo se encontra em sigilo e até o presente momento não foi deferida a nossa habilitação e não temos como nos manifestar", disse.


LIDERANÇA


Para os promotores, a liderança da organização ficava a cargo da delegada Patrícia Bezerra e do inspetor-chefe Petrônio Jerônimo dos Santos, o 'Pepeu'. A dupla já foi condenada pela Justiça Federal no ano passado em decorrência da Operação Vereda Sombria, que apurou crimes como corrupção, tortura e associação criminosa.


Ainda não há informações se mandados foram expedidos e cumpridos. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) foi procurado, mas não emitiu posicionamento oficial até a publicação desta reportagem. O documento do Gaeco é dividido em 26 fatos, todos eles datados nos anos de 2016, 2017 e 2018, em Fortaleza e Região Metropolitana. 


Consta nos autos que os policiais civis se aproveitavam de informações privilegiadas obtidas por meio de informantes ou durante as investigações. Assim, eles abordavam suspeitos específicos para que apreendessem grande quantidade de drogas. 


Devido ao modus operandi dos policiais, os suspeitos se tornavam vítimas de extorsão e eram obrigados e pagarem quantias de valores diversos. Segundo o MP, a prática acontecia com a conivência e proteção das delegadas da Especializada.


COMO OS CRIMES ACONTECIAM

De acordo com o Gaeco, o abordado flagrado com algum objeto ilícito ou mandado judicial em aberto era extorquido até mesmo sob tortura, ameaçado ser preso em flagrante para que entregasse alguma informação sobre traficantes maiores e mais quantidade de drogas.


"Para garantir o esquema do grupo, os delegados se desdobravam no atendimento às exigências dos inspetores, seja para livrar algum informante naquelas situações que, de alguma forma, fugiram ao controle, seja para livrar e proteger os próprios policiais que participavam das operações, tendo à frente a pessoa de Petrônio Jerônimo dos Santos", segundo trecho da denúncia. CONTINUE LENDO diretoi na fonte: Diário do Nordeste AQUI

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