Falar do Jubileu da Diocese de Tianguá e não referenciar dom Javier é cometer uma baita injustiça - Revista Camocim















sábado, 21 de agosto de 2021

Falar do Jubileu da Diocese de Tianguá e não referenciar dom Javier é cometer uma baita injustiça



Falar do Jubileu da diocese de Tianguá e não referenciar o querido bispo emérito Dom Javier é cometer uma injustiça com a história da própria diocese, principalmente com os 25 anos em que ele esteve à frente da mesma. Um bispo sempre muito à frente do seu Clero em todos os sentidos: humildade, firmeza, ampla visão pastoral, prudente, democrático, acolhedor, teológico e bíblico-catequético. E tudo isso sem falar do seu potencial intelectual, utilizado sempre em favor do povo de Deus.


Além disso, Dom Javier investiu pesado na formação dos leigos e leigas -  Friso: no seu governo  o leigo não era tido como "cristão de segunda categoria", apesar de ser esta a visão oferecida por parte "generosa"do Clero diocesano, que nunca fez valer o potencial oferecido pelo seu Bispo -.  A Escola Diocesana de Catequese "era" sinônimo de rico conteúdo. Era o que tinha de melhor em termos de formação para os leigos, leigas e demais agentes de pastorais. Para o bem da Verdade: a pastoral catequética de Tianguá era referência em todo o Regional Nordeste I!


Destaco ainda o investimento que ele fez nas Comunidades Eclesiais de Base, criando importantes ministérios, os conselhos comunitários,  instituindo as regiões episcopais e os setores paroquiais, visando intensificar os processos de formação e articulação da vida orgânica comunitária em todos os sentidos, inclusive na dimensão social da fé. 


Foi tudo isso e mais um pouco a constituição do legado apostólico do querido pastor emérito desta porção do povo de Deus.  O religioso espanhol, Frei  da Ordem dos Agostinianos Recoleto,  Francisco Javier Hernández Arnedo, não mediu esforços para cumprir seu ministério: "Bonus eris minister" – "seja um bom ministro". Sim, foi isso que ele foi/é: Um bom ministro! - a quem, particularmente, devo parte de minha formação cristã e humana, bem como a compreensão do conceito de pastoral. 


Uma pena:


Já falei outras vezes e fortaleço: Parte do Clero de Tianguá nunca valorizou, na prática, os propósitos pastorais de Dom Javier. Me arrisco a dizer que tais propostas foram boicotadas, principalmente no tocante ao desenvolvimento das ações correspondentes ao profetismo e as questões sociais em desfavor do povo, sobre tudo dos mais pobres e excluídos. Aliás, essa dimensão sempre foi tratada com desprezo e criticas aos que resolveram na vida da Igreja assumi-la. 


E não se trata do "é porque não souberam fazer". Definitivamente: NÃO! É porque não QUISERAM FAZER!


Se por um lado Dom Javier buscava uma Igreja Diocesana equilibrada, capaz de atender a famigerada "unidade na diversidade", mas tendo as opções preferenciais de Jesus, como o principal norte do barco diocesano, por outro lado se constatava uma indisposição fenomenal da preguiçosa e vaidosa parte do Clero - que não deve gostar um pingo destas reflexões -, indisposta a ser uma "Igreja em saída", em processo de conversão, dialógica, sinodal, ecumênica etc. Pelo contrário: prestava-se/presta-se ao mero exercício das celebrações limpas e secas dos cultos, alimentando o também "mero devocionismo" dos fieis, numa prática completamente obsoleta, sem conexão alguma com o contemporâneo magistério da própria Igreja [Exemplo: Evangeli Gaudium, Fratelli tutti , Laudato si' , Lumen fidei e outros].


Há quem diga que esse relato critico é tenebrosamente saudosista. Mas diz isso apenas quem estagnou ou se alienou. Ou até mesmo quem cresceu ou cresce dentro da gaiola hierarquicamente fundamentalista. 


E não tem nada de bom?  Tem! A boa vontade de poucos, que alimentam a esperança da propalada "Conversão Pastoral".


Obrigado Dom Javier! 

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