Campanha Ecumênica da Fraternidade 2021: Por diálogo, Igreja “desce do púlpito” e vai aos fiéis - Revista Camocim















sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Campanha Ecumênica da Fraternidade 2021: Por diálogo, Igreja “desce do púlpito” e vai aos fiéis

 



Por Paulo Emanuel Lopes*


Tem início esta semana as celebrações da Campanha Ecumênica da Fraternidade 2021. Iniciativa da Igreja Católica brasileira, este ano tem realização ecumênica. Ou seja, como vem ocorrendo a cada 5 anos, em média, a edição deste ano não é organizada exclusivamente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mas sim pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic). 


A ação propõe que a cada Quaresma, período de "40" dias entre Carnaval e Páscoa, a Igreja escolha um assunto para ser discutido em comunidades e paróquias por todo país, e faça uma arrecadação especial de dinheiro para suas causas sociais - o Domingo de Ramos arrecadou em 2019 cerca de três milhões e oitocentos mil reais. Em 2020 e neste 2021, por conta da pandemia, não está havendo arrecadação - a instituição alemã Adveniat ajudou a Igreja em 15 projetos.


A ideia da Campanha teve início em Natal (RN), no ano de 1961, e é inspirada no Concílio Vaticano II e seu ideal de uma Igreja mais próxima de suas bases. Graças ao seu sucesso, já em 1964 tornou-se nacional, sendo organizada desde então pela CNBB. No ano 2000 houve a primeira Campanha da Fraternidade Ecumênica, organizada pelo Conic.


Polêmica


Com tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, a Campanha deste ano é criticada por grupos católicos por conta de parágrafos que, ao falar sobre a violência que assalta nosso País, cita grupos vulneráveis mais atingidos como mulheres, indígenas e, também: "outro grupo social que sofre as consequências da política estruturada e da criação de inimigos é a população LGBTQI+". 


“Esses homicídios são efeitos do discurso de ódio, do fundamentalismo religioso, de vozes contra o reconhecimento dos direitos das populações LGBTQI+ e de outros grupos perseguidos e vulneráveis”, diz ainda o documento.


Querendo afastar o divisionismo da questão (afinal, estamos falando de diálogo!), a CNBB lançou nota defendendo a campanha sem citar questões específicas do documento. Explicou que não se trata de um texto católico, mas preparado pelo Conic.


(Além da Igreja Católica Apostólica Romana, o Conic é formado ainda por: Aliança de Batistas do Brasil; Igreja Episcopal Anglicana do Brasil; Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; Igreja Presbiteriana Unida; e Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia.)


A parte pelo todo


Uma forma de manipular a narrativa é tomar a parte pelo todo. Nesse exemplo específico, grupos ditos “conservadores” citam aspectos isolados do documento para abafar o que é realmente importante ali: inspiradas pelo Cristo, as Igrejas lançam luzes sobre os mais vulneráveis da sociedade, amando assim a seu próximo. Isso contraria interesses econômicos, lobbies voltados ao atual modelo de concentração de renda.


A posição no púlpito é confortável, mas seguindo o exemplo do nazareno, a Igreja desce ao sofrimento do seu povo. Ora pela viúva, pelo órfão e pelo encarcerado (adicionemos novos desalentados, os sem emprego e sem auxílio, ou esperando em filas de UTI). Defende o oprimido e prefere não atirar pedras, negando assim o próprio conceito de violência que mantém os poderosos no poder.


Sentemos para discutir o que nos une (em Cristo), não o que nos aparta. É o que propõe a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021.


* É Jornalista e Publicitário. Escreve para o Revista Camocim às sextas.

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