Betinha cuidou do asfalto. Agora é hora de cuidar das pessoas - Revista Camocim















sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Betinha cuidou do asfalto. Agora é hora de cuidar das pessoas

 


Por Paulo Emanuel Lopes* 


A prefeitura de Camocim entregou, neste começo de gestão, o asfaltamento da rua Antônio Zeferino Veras (Rodagem do Lago até o antigo posto Siebra), o recapeamento da Sebastião Lopes (acesso ao Jardim das Oliveiras e Cidade com Deus), além de outros trechos. A prefeita é nova, mas a estratégia política que vem usando é antiga: levar asfalto para o povo que, de tão maravilhado pelos benefícios oferecidos ali, no curto prazo, acaba por desviar os olhos do que não é feito no longo prazo.


O asfalto é positivo? Certamente! Pelo ponto de vista da manutenção de nossas motos e carros, além do conforto do novo ir e vir


(quem é que gosta de andar chacoalhando?), o asfalto representa sim, mudança positiva para a cidade.


A questão é que sair colocando asfalto, sem melhorar a infraestrutura urbana da cidade, acaba por colocar em risco a população. Porque asfalto é bom, mas também ajuda a provocar alagamentos (a água encontra menos chão para ser absorvida), aumenta a temperatura na cidade (o asfalto é preto e absorve calor) e, o que é foco deste texto: aumenta a velocidade dos veículos.


Estamos dirigindo mais rápido, e em uma cidade que não está preparada para este novo cenário. Tem cruzamentos que foram asfaltados e que, ainda hoje, não contam sequer com a sinalização de “Pare”!


(Exemplo é o cruzamento das ruas Mal. Floriano Peixoto com 24 de Maio, a foto que ilustra este artigo. Super movimentado, em pleno centro de Camocim, até a tarde desta sexta-feira, 05 de fevereiro, não tinha sinalização da preferencial. Um risco altíssimo de acidentes.)


E, se não estamos sendo capazes de resolver nem os problemas imediatos, mais básicos de trânsito (pintar um “pare” no chão), quem dirá propor um Planejamento Urbano mais humano.


Esse tipo de planejamento buscaria desenhar as cidades para as pessoas, não para os carros. Asfaltamento viário? Ok! Mas vamos pensar também na situação das calçadas, onde transitamos e sentamos para conversar, nos divertir; vamos plantar mais árvores, que podem nos fornecer sombra, oxigênio e até, quem sabe, frutas gratuitas (sabe as árvores frutíferas de Brasília que, além de alimentar o povo, se tornaram até ponto turístico?); vamos colocar mais lixeiras nas ruas e criar uma estratégia de coleta seletiva do lixo (os turistas iriam adorar); e vamos ousar: que tal transformar todas as ruas que já foram asfaltadas em mãos únicas? (igual à zona norte de Buenos Aires!)


O bairro Boa Esperança, aliás, é triste exemplo da falta de planejamento urbano: ruas estreitas e asfaltadas de mão dupla, com um fluxo intenso de carros e motos, o que gera muita insegurança para os moradores do populoso bairro.


Planejar uma boa cidade não é querer imitar Miami, com seu asfalto impecável e prédios luxuosos; mas sim, promover ações que nos ofereçam, como seres humanos, mais qualidade de vida.


É importante frisar que este modo de pensar o espaço urbano é relativamente novo. Até bem pouco tempo atrás (se é que deixou de ser), o pensamento dominante concluía que o sucesso econômico das pessoas - ou seja, mais carros, mais ruas largas, mais asfalto - seria sinal de uma sociedade mais "desenvolvida".


Hoje não se pensa mais tanto assim. As pessoas procuram meios mais naturais de viver. Prova disso é a valorização de condomínios fechados com áreas sociais amplas, ou de imóveis localizados próximos a áreas verdes e abertas, como as orlas das cidades com seus calçadões. Afinal, de que adianta ter tanto asfalto se seu filho não pode mais brincar na rua?


É hora de pensar diferente, prefeita Betinha. É hora de pensar melhor. Torço por você. 


*É Jornalista  e Publicitário. Escreve para o Revista Camocim às sextas.

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