2021, o ano que não teve carnaval - Revista Camocim

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

2021, o ano que não teve carnaval



Por Paulo Emanuel Lopes*


Hoje (sexta) de manhã cruzei com um tradicional comerciante da beira-mar de Camocim, vinha ao centro comprar insumos para o seu restaurante. Ao ser questionado sobre a barreira sanitária (foto) na entrada da cidade, ao invés de reclamar, preferiu acreditar:


“Eu vou apostar em promoções. Mesmo com o cancelamento [do carnaval] e as barreiras [na entrada da cidade], tá vindo gente aproveitar as praias de Camocim [vai ser feriado para algumas categorias profissionais]. Eu tenho até 10 [22] horas para trabalhar, então tô com carne na promoção, cerveja gelada... é trabalhar para os turistas que vierem. Vai dar certo”, nos contou.


A barreira sanitária faz parte do Decreto Municipal que a prefeita de Camocim, Betinha Magalhães (PDT), anunciou esta semana (o povo já comentava a possibilidade desde muito antes): nossa cidade, tradicional destino de carnaval de praia, será fechada durante estes dias por barreira sanitária (foto), além da proibição de paredões e festas. Betinha segue assim orientação do governador Camilo Santana (PT), que havia anunciado as regras no começo de janeiro.


Importante frisar que o Decreto não impede a chegada de todos os foliões. Segundo artigo 2º, os visitantes que chegarem à rotatória da cidade e comprovarem hospedagem acertada em hotel ou pousada no município, garantem a entrada (moradores apresentam comprovante de endereço ou do IPTU).


A medida é questionável porque afasta o folião que vem para passar o dia, mas não aquele que tem condição de se hospedar. Mas é, sem dúvida, o melhor caminho, porque fica no meio termo: não fecha o setor turístico como um todo e, em conjunto com a proibição de paredões e festas, impede o grosso das aglomerações.


Claro que a decisão da prefeitura foi lastimada por muitos, que aproveitam esta época do ano para faturar com a chegada dos foliões. Mas não é que barraqueiros, vendedores ambulantes, donos de bares, restaurantes, entre outros não reconheçam a crise de saúde pela qual passamos: é que já enfrentam problemas econômicos por conta do conturbado ano de 2020.


A decisão é polêmica, e há de se reconhecer seus argumentos: os bares e restaurantes não são os únicos disseminadores da Covid-19. Festas clandestinas seguem sendo combatidas, e muitos insistem em não usar máscaras. Ou seja, as medidas têm eficácia limitada se não garantirem, também, o apoio da população.


Por outro lado, se os gestores não fizerem nada, nós todos teremos que pagar um preço muito alto depois: hospitais sem vagas para receber novos pacientes, leitos de UTI lotados; profissionais da saúde exaustos, sem conseguir dar conta da demanda; pessoas tendo de enterrar seus parentes sem direito a velório, sem poder, ao menos, abrir seus caixões para uma última despedida.


Não se trata de teoria conspiratória ou exagero linguístico, mas cenas reais que presenciamos aqui em nosso País, em nosso Estado, em nossa Cidade não tem nem um ano.


A decisão do Governador e da Prefeita são difíceis, mas necessárias: o isolamento social é, hoje, nossa principal estratégia para que o vírus não saia do controle. Porque não vamos conseguir impedi-lo de existir ou de infectar as pessoas; mas podemos evitar o colapso dos hospitais, agindo para que um número grande de pessoas não adoeça ao mesmo tempo.


*É Jornalista e Publicitário. Escreve às sextas-feiras.

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