Um ano de pandemia: Covid-19 e individualismo seguem causando vítimas - Revista Camocim

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Um ano de pandemia: Covid-19 e individualismo seguem causando vítimas

 


Por Paulo Emanuel Lopes*

Recentemente encontrei o convite para uma festa de aniversário: os 50 anos de um primo, que seriam comemorados em 21 de março de 2020, mas que acabou cancelada. Naquele momento eu imaginei que seria por pouco tempo e que, certamente, comemoraríamos o seu 51º. É assustador pensar hoje que, apenas com muita sorte, conseguiremos pensar no 53º.


Em janeiro de 2020 teve início o primeiro surto oficial da doença, em Wuhan, uma populosa cidade na China. E ao contrário do que todos gostariam, um ano depois do início da doença, a Covid-19 segue causando sérios problemas. Em alguns locais, inclusive, com mais sobrecarga do sistema de saúde que durante sua primeira onda de infecções, no primeiro semestre de 2020.


Faltou oxigênio em Manaus (AM) esta semana, principal insumo que os acometidos pela doença precisam para sobreviver. Há relatos na mídia de médicos utilizando morfina para aliviar a agonia da falta de ar em seus pacientes. Isso é chocante. Faltou oxigênio na rede privada e pública de saúde do Estado, portanto não há de se culpar a política.


Manaus é uma cidade enorme, com 2 milhões de habitantes, e um dos custos de vida mais caros do país. Não faltou insumo hospitalar em um povoado distante, mas em uma das maiores cidades do Brasil. A rede hospitalar manaura certamente tinha condição de manejar a doença, como vinha fazendo. Mas acabou colapsada com o aumento no número de casos resultado das festas de fim de ano. Muitos viveram o fim de 2020 como se fosse o encerramento, também, do ciclo da Covid-19. Só que não.


Outros estados estão se movimentando para receber pacientes de Manaus, ajudando a desafogar o sistema de saúde local. Mas se todo o Brasil chegar a este ponto, para onde vamos levar nossos doentes?


Está havendo, neste instante, duas pandemias: a de Covid-19 e a de individualismo. E esta segunda tem como grande propagandista, em nosso país, o próprio presidente.


Outro dia, no meu local de trabalho, um comerciante inconformado com o aumento nos preços me disse que a culpa da desvalorização do real não era do Bolsonaro, mas do Rodrigo Maia. Sem entender o porquê eu pedi para que explicasse: o presidente da Câmara dos Deputados havia liberado muito dinheiro, com o auxílio e para os estados e municípios diretamente, por isso a piora na situação econômica do país. Não respondeu porque a moeda de outros países, em situação parecida com a nossa, não caiu tanto. Foi chocante perceber que, após tantos anos da culpa ser “do PT”, continuamos pondo a culpa de nossos próprios erros nos outros.


Caos como os vividos neste momento em Manaus, no Brasil, Londres, na Inglaterra, entre outros locais, são tristes consequências desta pandemia. Mas também do individualismo e da arrogância de tantos que, com pose de “Albert Einstein”, afirmam não precisar da mídia ou da orientação de médicos e especialistas num momento como este.


Preferem acreditar na Cloroquina e em um presidente com formação em paraquedismo que colocou um militar da ativa para Ministro da Saúde, em plena crise sanitária global.


*Graduado em Jornalismo (2020) e Publicidade e Propaganda (2016). Escreve às sextas.


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