SERIA O APOCALIPSE? - Revista Camocim

sábado, 23 de abril de 2016

SERIA O APOCALIPSE?

Os dias têm passado; e cada dia que se passa uma triste realidade está sendo desenhada na minha frente, rezo piamente a Deus que nossa vida não retroceda. Porque é isso que tenho presenciado. Desejo que nossos costumes não voltem a ser obsoletos. Quero que nossos pensamentos sejam coerentes, tolerantes e dignos de seres humanos. 

Na década de setenta Belchior cantava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”, e sim, concordo com esse pensamento. Por que será que tantos desejam voltar como era naqueles idos dos anos setenta?

Fica claro aqui que uma coisa é ter pensamentos de nostalgia daquilo que era realmente bom, outra bem diferente é querer imprimir a antiga realidade às novas configurações de vida que foram construídas ao longo dos anos. 

Infelizmente essa tendência ao retrógrado e obsoleto é algo que não está “apenas” no Brasil. Aliás, acredito que a “mentalidade de colonizado” que insistem em impor ao nosso povo brasileiro é a grande responsável pela contaminação e implantação desses atos de intolerância e de barbárie. O abismo cada dia mais próximo parece ser o destino final de nosso país, que “sorridente” pulará do abismo.

Espero estar muito enganado, (e novamente falo: rezo a Deus que o engano seja o da minha parte). Mas, se no Brasil estamos (a meu ver) beirando um novo modo de implantar outro regime ditatorial. Em países da Ásia como: Coreia do Norte e Vietnã ou Laos esses regimes nunca deixaram de existir. Na África a Guiné Equatorial, é o exemplo que agora me vem à mente.

A Europa, além de estar em constante ameaça de ataques terroristas tem passado por crises financeiras muito mais fortes: a Grécia, até hoje tem dívidas relacionadas às olimpíadas de 2004; Espanha, cada vez com mais imigrantes ilegais e desemprego em crescente.

Nossos Hermanos argentinos atualmente estão em uma crise mais profunda que no Brasil; outrora tido como salvador da pátria, o presidente Macri está tendo que encarar a desvalorização de 11% da moeda argentina (um dólar vale nove pesos argentinos), o desemprego já em 15%, isso pra ficar em apenas dois itens.
E como a síndrome de vira-latas (segundo Nelson Rodrigues), assola nossas terras e nossas mentalidades mais do que imaginamos. Vamos ser “obrigados” a aplaudir jogadores de futebol e nos contentar em simploriamente ver o Brasil sendo classificado para a copa de 2018, enquanto as maracutaias, caixas-dois e falcatruas correrem por debaixo dos panos e as anestesias que nossa imprensa que é extremamente “politicamente correta” e nos dá os retratos e estereótipos das pessoas “belas, recatadas e do lar”.

É isso que querem que o povo brasileiro seja? Adornos, fantoches e marionetes que simplesmente se deixam manipular e riem das piadas sem graça que incluem mulheres mostrando a bunda e homens agindo como brutamontes? 

Se no Brasil, estamos próximos de mais um erro chamado Temer; nos Estados Unidos o líder das pesquisas à corrida presidencial é nada menos que o machista, xenófobo e mal penteado Donald Trump. Não estamos sozinhos no barco. Cada vez mais me convenço que o apocalipse está próximo. Uma triste constatação. 

E se nossa catarse é o riso, que possamos utilizar essa arma para nos mantermos conscientes e responsáveis de nosso papel junto dessa vida que se configura nesses tempos que aparecem tão sombrios, cheios de tempestades e ilusões para os mais ingênuos.

Júnior Santiago, camocinense de 29 anos. Formando em Filosofia chancelado pela UFG e atualmente estudante de Teologia na PUC – Minas; Irmão da Congregação São Pedro Ad Vincula.