Augusto Cury é um escritor que incrivelmente vende muitos livros; e não entendo como aquela escrita tão pobre consegue atingir tantos. Ele está numa categoria de livros com nome bem estranho, é a categoria dos livros de “autoajuda”, mas em minha opinião deveria ser livros de “ajuda”; ora é autoajuda pra quem escreveu pra quem lê é uma ajuda. Alguns amigos me indicaram para ler alguns livros desse “célebre” autor de best-sellers, sendo assim me aventurei. Consegui a proeza de ler três livros dele para chegar à conclusão que realmente é um autor ruim; frases mal construídas, escrita pobre, argumentos monótonos e previsíveis. Em resumo, seus livros são medíocres.
Em contrapartida, algo que realmente me motiva a ser um ser humano melhor, ultrapassar meus limites, transcender as barreiras e que incentiva minha resiliência é a música: Gonna Fly Now de Bill Conti a trilha sonora composta para o filme “Rocky, um Lutador” do ano de 1976 estrelado por Sylvester Stallone. Para quem não sabe o roteiro do filme foi escrito pelo próprio Sylvester Stallone em apenas três dias e com um orçamento reduzido o filme foi um sucesso na época, arrebatou uma porção de prêmios recebendo inclusive dez indicações para o Oscar em 1977, foram elas: Filme; diretor (John G. Avildsen); roteiro original (Sylvester Stallone); ator (Sylvester Stallone); atriz (Talia Shire); ator coadjuvante (Burgues Meredith e Burt Young); canção (Gonna fly now); montagem e som. Venceu em três categorias: melhor montagem, diretor e filme.
Porém, mais do que falar das premiações do filme pretendo expor a mensagem colocada numa história que a priori é clichê. Para quem não conhece, aí vai um resumo rápido: Rocky é cobrador de um agiota na periferia da Filadélfia e para “reforçar” sua renda luta boxe; vive no subúrbio onde não há esperança de melhora de vida, ruas escuras, pessoas sem perspectivas, chances reduzidas de emprego e é nessa realidade que Rocky vive e conhece a tímida Adrian irmã de seu amigo Paulie. Adrian é junto com Rocky as duas pessoas que se diferenciam daquela realidade suja e decadente; com certeza por isso é que ela consegue despertar o interesse do nosso lutador.
Então surge o astro do boxe campeão mundial: Apollo Creed (na versão brasileira chamou-se de Apollo Doutrinador); ele precisava de um adversário para uma luta, já que o seu outro oponente se machucara treinando e ao ler o nome de “Rocky Balboa, o Garanhão Italiano” gosta do nome e decide propor a ele a luta.
Eis o fio condutor da história: alguém sem perspectiva vê diante de seus olhos a chance de sua vida, agora restava agarrar com todas as forças. Rocky sabe que a chance de vencer Apollo são poucas, mas isso não o desmotiva. Ao contrário, vai em direção de sua própria transcendência como lutador; passa a encarar o treinamento de maneira séria e faz todo o possível para ser um lutador e por consequência uma pessoa melhor. Encontra finalmente a disciplina que não tinha.
Os estímulos são a priori a luta que caiu como um golpe de sorte na sua vida, mas na realidade o verdadeiro estímulo para essa mudança e melhora é o amor. O amor que sente por Adrian é que transforma Rocky. O carinho que sente por Mickey (seu treinador) e a amizade com Paulie (mesmo que não mereça às vezes) esses fatores fazem Rocky demonstrar seu melhor lado como pessoa. Há também a transformação da retraída Adrian que vai sutilmente deixando aflorar suas qualidades à medida que se deixa envolver com o expansivo Rocky.
Temos nesse filme um casal que realmente funciona nos contrastes. Os olhares dos atores Sylvester Stallone e Talia Shire são cheios de tranquilidade e cumplicidade. A grande interpretação de ambos não estão simplesmente nas falas do roteiro e sim em como a barreira inicial é quebrada com o abrir para a mudança que ambos se deixam conduzir.
O fim do filme não será contado; aposto que muitos devem ter visto, mas poucos lembram. Apenas considero extremamente coerente e profundo algo que não há em Augusto Cury. Rocky Balboa nocauteia Augusto Cury sem dó nem piedade na mensagem de ânimo e autoestima; e o melhor de tudo é que Rocky ainda tem trilha sonora estimulante.
Gonna Fly Now é o nome da música e em bom português significa: “vai voar agora”. Sim, Rocky voaria no filme. Rocky voou no filme. Por isso que encerro adaptando o nome da música para: Acredita em ti e voa!
Júnior Santiago é camocinense, graduado em filosofia chancelado pela UFG e atualmente faz teologia na PUC Minas Gerais. Congregação São Pedro Ad Víncula.
