Três dias após as manifestações a favor do impeachment da presidente Dilma, protestos contrários à destituição da petista ocorreram ontem em ao menos 21 capitais do país mais o DF. Segundo o Datafolha, 55 mil pessoas participaram da manifestação em São Paulo, que partiu da avenida Paulista, em frente ao Masp, e se dirigiu até a praça Roosevelt. No horário de maior movimento do protesto, às 19 horas, 45,4 mil pessoas estiveram no ato. Ainda segundo a pesquisa, 14,8 mil pessoas ficaram durante todo o tempo no ato.
O número supera o protesto do último domingo, 13, quando 40,3 mil pessoas, também segundo o Datafolha, estiveram na avenida Paulista em defesa do impeachment da presidente. Embora os atos tenham contado com a participação de manifestantes espontâneos, a imensa maioria era ligada a movimentos ou centrais sindicais.
Essas entidades condicionaram a participação nos protestos à possibilidade de fazer críticas ao ajuste fiscal promovido pelo governo de Dilma. Segundo a reportagem apurou, CUT e MST, mais próximos ao PT, eram contrários às críticas ao Planalto durante os atos. Outras entidades presentes, no entanto, como MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Intersindical (ligada ao Psol) e Frente Povo Sem Medo -que articula vários grupos-, temiam que os movimentos parecessem "chapa-branca".
As manifestações também tiveram como alvo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O deputado, que aceitou o pedido de impeachment da presidente, é alvo de dois inquéritos no STF por suspeita de envolvimento com a Lava Jato, além de uma nova apuração que averigua se ele atrapalhou as investigações.
No Rio, em Brasília e em São Paulo, quando locutores em carros de som anunciaram que a Procuradoria Geral da República pediu o afastamento do presidente da Câmara, os manifestantes gritaram "Ai, ai, ai, empurra o Cunha que ele cai".
Coordenador do MTST, Guilherme Boulos afirmou que "esse impeachment é ilegítimo, é fruto de chantagem de Eduardo Cunha". "É uma saída à direita para a crise", disse ele.
Em cidades como Salvador e Porto Alegre, manifestantes usaram máscaras de Cunha e levaram cédulas falsas de dinheiro durante o protesto.
Já no Recife, além do presidente da Câmara, o deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB) também foi alvo dos manifestantes. Possível sucessor de Cunha, o ex-governador de Pernambuco é visto como aliado da oposição a Dilma.
(Folhapress)

