TODOS MISTURADOS NO BRASIL DAS MISTURAS - Revista Camocim

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sábado, 29 de agosto de 2015

TODOS MISTURADOS NO BRASIL DAS MISTURAS

Na escola ouvi muitas vezes que somos descendentes de escravos. Eu discordo plenamente disso, ora: não sou descendente de escravos, eu descendo de seres humanos que foram escravizados. Essa frase é bem forte e me faz refletir imensamente. Ela se auto explica. E justamente por estar contida nela a miscigenação brasileira é que me atrevo a fazer uma pequena caminhada no que fizeram esse ser o primeiro passo para a mistura que temos no Brasil nos dias de hoje.

Claro que o brasileiro tem mistura de tudo quanto é povo. Mas, foram os negros os responsáveis pela construção de nosso alicerce cultural e físico. E um pouco de história em nossa vida não fará mal, ainda mais quando se trata da história que implicitamente está nossa própria vida. 

A África virou motivo de saudade para aqueles que acorrentados em um navio negreiro foram trazidos para uma terra estranha que ao longo do tempo receberia o nome de Brasil. O “branco civilizado” escravizava o “negro bárbaro sem cultura e sem alma”; desse modo, foram presos reis, rainhas, guerreiros, pessoas livres, crianças, etc. Foram afastados das suas nações africanas, deixaram de morar em seus reinos que não precisavam de palácios para serem obrigados a ficarem transitando entre a casa grande, a senzala e o tronco.

A incrível força negra foi a responsável por construir uma base forte em nosso país. Planta e colhe café, cana de açúcar, extrai ouro, sal, dentre outras tantas riquezas em nossas terras tupiniquins. Sendo assim, o país enriquece e deixa de ser apenas uma colônia sem importância para ser uma das terras mais cobiçadas da Europa no distante século XVIII. 

E além dos portugueses aparecem os espanhóis, franceses, holandeses. O negro então é colocado na frente de batalha. Mas, não nascemos escravos; portanto a insatisfação é constante e a quebra dos grilhões é questão de tempo. Antes da sonhada “senhora liberdade” aparecer são evidentes os traços de luta e insatisfação. O quilombo dos Palmares e seu líder Zumbi são a prova disso.

E aos que não sabem. O Ceará foi o primeiro estado brasileiro a abolir de seu território a escravidão. Todavia, a famosa lei Áurea assinada pela princesa Isabel em 1888 foi realmente a realização do sonho de uma raça?

Ou será que foi a ilusão dada ao povo? Muito tempo passou desde então. Muita coisa mudou também; agora não seria mais preciso colocar uma pedra na imagem do “santo do branco” para representar o seu orixá. O sincretismo religioso finca uma nova manifestação de fé, que num primeiro momento constrói toda uma nova visão de devoção, que se tornará com o passar dos séculos uma demonstração peculiar e única da crendice e fé populares.

Nos terreiros de candomblé a culinária é desenvolvida: feijoada, acarajé, vatapá e para a surpresa de muitos até o aluá. 

Nas casas das tias e pretos velhos desenvolve-se o samba, tambor de crioula, maracatu, capoeira, congadas e batuques. Tudo isso se misturou com o carnaval que de origem italiana virou o que há no Brasil hoje em dia. Ou seja, tudo no Brasil é misturado. Aqui no país nada é “puro”. 

E em nossos dias atuais, mais de cem anos depois da “liberdade abrir as asas sobre nós”. Ontem o negro foi escravo o branco senhor de engenho ou pobre “livre”; e hoje o que somos? O Brasil hoje é fruto de fusões de etnias aliado a uma não identidade direta, mas indireta e “impura”. 

Gosto de saber que desse modo sou “impuro”. E essa “impureza” se deu porque a mistura aconteceu. Bem ou mal foi o “malvado homem branco” que proporcionou tudo isso. Que ironia! 

Apenas sei é que o tom de pele é o de menos quando se trata do Brasil. Somos todos caboclos, mestiços, caipiras, sertanejos, matutos e sonhadores brasileiros. Não deixemos que frases falaciosas nos tirem isso. Isso sim é a nossa maior riqueza. 

Júnior Santiago é camocinense, graduado em filosofia chancelado pela UFG e atualmente faz teologia na PUC Minas Gerais. Congregação São Pedro Ad Víncula.