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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

NA LUTA DO JEGUE COM O CAMELO NO CEARÁ, O JEGUE VENCEU!

Por Júnior Santiago

Em meados do século XIX o Brasil ainda era uma terra bastante desconhecida pelas pessoas que moravam na capital do Império; até então se sabia apenas sobre a cidade do Rio de Janeiro, afinal fora lá que a família real portuguesa se exilou quando fugiu das tropas francesas de Napoleão Bonaparte. E D. Pedro II, Imperador do Brazil (isso mesmo, naquele tempo era escrito com ‘Z’ e não com ‘S’) aprova uma expedição pelo Nordeste e dentre as metas estaria uma expedição ao Ceará.

O Nordeste era uma região praticamente desconhecida. E o Ceará foi um dos destinos escolhidos por causa de supostas riquezas minerais que os espanhóis teriam escondido no Sertão. Não chega a ser difícil de acreditar em algo assim, visto que o Brasil era visto como o novo eldorado pronto para ser explorado e também as riquezas do estado de Minas Gerais já haviam diminuído e as minas do Norte do Brasil ainda não tinham sido descobertas.

Além disso, D. Pedro II queria algo novo; queria também descobertas geológicas, físicas, astronômicas dentre outras (bem ousado ele). Então, munidos da coragem desbravadora foram em busca do desconhecido; e justamente por não conhecerem como as coisas funcionavam no Ceará é que o Império faz algo quase inacreditável: compra camelos da Argélia (naquela época colônia da França na África) para as expedições; dizem que era uma tentativa de reproduzirem no Ceará o mesmo que aconteceu com as regiões semiáridas da Austrália e Estados Unidos onde esse tipo de ação deu certo. Ô dó gente.

E assim fora feito. No ano de 1859 a cidade de Fortaleza recebe um monte de argelinos e mouros com seus turbantes e camelos. Roupas exóticas para a nossa realidade cearense e gaiata (sim já éramos gaiatos); o fato simplesmente parou a cidade e todos foram espiar aquele povo de roupa esquisita, fala engraçada e aqueles bichos que ninguém nunca tinha visto (camelos).

Passada a euforia da chegada e também já aclimatados era necessário que desbravassem as terras cearenses, afinal estavam ali justamente para isso. Na comitiva havia o poeta maranhense Gonçalves Dias. Os mouros armam nas

corcovas dos camelos uma espécie de barraca (algo parecido com o ninho de joão-de-barro); todos a postos saem de Fortaleza com destino a Baturité, no entanto, poucos quilômetros depois o prestígio dos camelos e mouros acabou-se.

É que um dos camelos (justamente o que tinha Gonçalves Dias) cai no meio do sertão e quebra a perna e os mouros assustados com aquilo (provavelmente algo inédito para eles) e Gonçalves Dias é acusado de “camelicídio”. Resumindo, os camelos é que não deram certo com os cearenses, nem com o clima e muito provavelmente o povo do Ceará também não deu certo com eles. Pior para eles que voltaram para a Argélia.

Enquanto isso, nosso querido jegue esse sim é um grande guerreiro e é este que serve e orgulha nossa terra. Sem saber o Ceará mostrou que tem força própria para a realidade que existe na sua vida. Não precisamos de exportações. Nosso jegue que serve para o trabalho, ara a terra, carrega os fardos da colheita e ainda serve de montaria esse sim é quem merece receber as honras e pompas necessárias.

Viva o jegue!

Júnior Santiago é camocinense, graduado em filosofia chancelado pela UFG e atualmente faz teologia na PUC Minas Gerais. Congregação São Pedro Ad Víncula.