LIBERDADE AINDA QUE TARDIA... - Revista Camocim

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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

LIBERDADE AINDA QUE TARDIA...

"Cala-se uma voz, mas outras tantas devem se reerguer ou não terá valido a pena lutar pela liberdade"


Por essa tal liberdade nos tornamos desbravadores, heróis, mártires e transpomos nossos próprios limites. Ela é, sem dúvida alguma, uma conquista inestimável, porém, sempre adornada de sacrifício, dor e abnegação.  Os que gozaram de seus deleites arriscaram suas próprias vidas e assim o fizeram para que outros pudessem ter o mesmo privilégio.

Ao longo da história desse país talvez nunca tenhamos sido plenamente livres. Mesmo nessa atual conjuntura, onde os princípios democráticos são apregoados a todo instante como um fato consolidado, não podemos dizer que alcançamos a tão sonhada liberdade. Vivemos sob uma ditadura velada, sutil e às vezes até mesmo escancarada em todos os setores da sociedade brasileira, que coíbe, intimida, assassina e rouba os direitos fundamentais de cada cidadão. A verdade, quando proferida de forma corajosa e veemente, encontra diante de si uma verdadeira estrutura social e criminosa que tenta silenciá-la de todas as formas, perpetuando assim, a impunidade, a injustiça e a ideia de que neste país o CRIME COMPENSA.

Não encontro hoje as palavras certas para expressar o que estou sentindo diante do lamentável incidente que vitimou fatalmente o companheiro Gleydson Carvalho, a quem tive a honra de conviver por um período curto na antiga Rádio Promoção FM. Há um certo tempo venho acompanhando o seu trabalho na Liberdade FM e confesso, com certa apreensão. Certas denúncias que eram feitas por ele, inclusive, postadas em redes sociais contra algumas oligarquias políticas da região estavam resultando em duras ameaças e ações judiciais. A sua morte trágica deve levantar algumas questões importantes, principalmente, dentre aqueles que trabalham diretamente com a imprensa local. Uma delas é a defesa intransigente da LIBERDADE DE IMPRENSA que foi colocada em “cheque” novamente diante do ocorrido. Este crime de pistolagem foi friamente planejado e executado com o objetivo de não só silenciar a voz de Gleydson como também INTIMIDAR os que ousarem utilizar os meios de comunicação para quaisquer denúncias. Há claras conotações políticas no ocorrido, o que nos permite concluir que há muito mais sujeira por baixo desse tapete.

A vida, dom por excelência, perde escandalosamente o seu valor e sacralidade. Mata-se em nome do dinheiro, do poder e de outros interesses mesquinhos. Tudo, absolutamente tudo, é feito para legitimar a corrupção e o desmando nesse país. Até quando?! Nossa omissão, silêncio e passividade nos torna cúmplices desse esquema que vem sendo vergonhosamente legitimado ao longo da história. Essa sensação de insegurança, medo e indignação que estamos sentindo deve se transformar a médio e longo prazo numa vontade coletiva de lutar mais ainda pelo direito de ter direito, pela prerrogativa de poder dizer o que se pensa de forma consciente e de fazer os ideais da justiça e da igualdade vigorarem concretamente.

Cala-se uma voz, mas outras tantas devem se reerguer ou não terá valido a pena lutar pela liberdade. Ainda que tardia, ela é o que nos mantém vivos...

Por César Rocha