DESABAFO - Revista Camocim

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sábado, 4 de julho de 2015

DESABAFO

Outro dia eu estava na paróquia daqui da cidade onde moro e uma pessoa me veio com certa ironia (ou pessimismo) dizer que rezava para que Jesus voltasse logo e separasse os bons dos maus. Eu (com mais ironia ou pessimismo) perguntei quais garantias ele teria de que justamente ele estaria no grupo dos que Jesus consideraria como o grupo dos bons? Essa garantia não se tem. Então pensei o seguinte:

Eu fico assustado em perceber como a morte tornou-se vulgar. E cada vez mais a fome assola o planeta. Nossa “civilização” passa por uma grave crise moral, crise espiritual. Isso tudo é uma forte demonstração de maldade. Maldade que auxilia muito no desequilíbrio do gênero humano e a nossa grandeza humana se apequena diante dessa inversão de valores; começo a achar que as coisas realmente estejam de cabeça para baixo; parece que tudo ultimamente tem conotação pejorativa, sexual ou apelo à violência. 

A Terra que na época das grandes navegações chegou a ser comparada a uma laranja hoje está comparada mais para uma (com o perdão da palavra) enorme bunda. E quanta sujeira a bunda tem revelado. E a bunda não tem volta. É preciso muita água para lavar tudo, porém com a crise hídrica que São Paulo tem passado melhor lavar no mar mesmo. Incrível, eu como cearense desde que me entendo por gente aprendi em casa, na escola a importância de economizar água, que seca existe e pode acontecer conosco; contudo foi preciso faltar água em São Paulo para ser considerado um “problema nacional” (escrevendo isso e ouvindo a música “Nordeste Independente” da Elba Ramalho).

Talvez devesse ouvir Racionais MC’S. Músicas de protesto. Realistas com verdades cruas e expostas sem metáforas ou licenças poéticas. Quero poder olhar na janela e entender que “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor” (Novos Baianos). E se no ano de 2013 disseram que: O Gigante Acordou; começo agora a ter dúvidas, talvez o gigante possa até ter acordado, mas parece que não cansou de apanhar. Nem cansou da inércia que o cerca. 

É preferível ser um anão que alfineta; uma boa alfinetada ajuda para que se comecem as reações. E se somos tão patriotas quando a seleção brasileira de futebol perde um jogo (independente do placar) nosso patriotismo deve ser maior na hora de honrar essa que não é somente uma pátria minha e sim a pátria nossa. É obrigação de todos que participemos desse trabalho. E claro, cada um age dentro de suas próprias forças.

Se o gigante realmente acordou ele poderia estar extremamente incomodado com toda essa sujeira que nos cerca. Esse lixo físico, mental e espiritual que tem sujado tanto nossas terras que “em se plantando tudo dá”; infelizmente tem-se plantado intolerância, ignorância, desrespeito, futilidades e tudo mais que desagrega em nós. 

Ultimamente tem faltado tanta coisa. Falta amor, honestidade, respeito à vida. E andar nas ruas de uma cidade grande faz com que nos deparemos com uma quantidade exorbitante de falhas em nosso sistema de (sub)vida; pessoas abandonadas e esquecidas nas ruas, indigentes, mendigos, famintos, drogados, desocupados (esses me dão pesadelos), e tudo mais que uma realidade dura é capaz de proporcionar. Estamos vivenciando uma crise de bons valores.

E se por um lado há todo esse lixo. Por outro existe um luxo causador de todas essas calamidades; o luxo do caixa dois, das negociatas, falcatruas, crime organizado, manobras políticas, igrejas servindo-se da fé como comércio. E depois de tudo isso que digitei, eu prefiro é ser do contra. Contra essa vida opressora e massacrante; contra essa exclusão; contra tudo isso que me torna um ser humano pior. Simplesmente porque é fazer o certo é obrigação e não privilégio.

E só de mal; vou ser honesto, fazer as coisas certas. Não por mérito próprio. E então, quem mais vai querer ser do contra?

Júnior Santiago

Camocinense, Graduado em filosofia chancelado pela UFG e atualmente faz teologia na PUC Minas Gerais. Congregação São Pedro Ad Víncula