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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

CID GOMES É COMPARADO A NERO, EM MEIO À SECA QUE CASTIGA A POPULAÇÃO

Com o título “Não basta banho curto, nem reza para São Pedro”, eis artigo do professor Alexandre Costa. Ele bate duro na política de distribuição de águas do Estado, que beneficia grande empreendimentos. Em certo momento, o professor compara Cid Gomes (Pros) a Nero: vai deixar o poder e, de longe, ver o Ceará inteiro pega fogo. Confira: 

O governador eleito Camilo Santana declarou publicamente que defendia a gestão de recursos hídricos do Ceará e “rezava para São Pedro” por boas chuvas. Recentemente, O POVO publicou artigo do vereador Acrísio Sena, também do PT, em que este argumentava que sabendo usar, a água não iria faltar. O que causa espanto no discurso de ambos é que escondem a verdadeira raiz da crise hídrica, que já aflige milhares de famílias no interior e agora ronda as casas dos moradores das cidades, incluindo a Região Metropolitana de Fortaleza.

O Castanhão, que ficou praticamente cheio em 2009 e 2011, forneceu grandes quantidades de água aos criadores de camarão e ao agronegócio do Vale do Jaguaribe, este último, responsável pela contaminação do rio, do solo e das pessoas por conta do uso de agrotóxicos que ainda contam com isenção de ICMS. Mas nada se compara ao que relatarei a partir de agora. Há pouco mais de um ano, Cid soltou publicamente a pérola: “a termelétrica demandará cerca de 1.000 litros por segundo. A siderúrgica, algo em torno 1.500, e a refinaria, outros 1.000 litros por segundo”. Tradução: três empresas gastarão água equivalente a 96% do consumo de Fortaleza inteira.

A siderúrgica e a refinaria ainda não operam, mas a termelétrica, sim. Ela consome água suficiente para abastecer mais de meio milhão de pessoas e é, sozinha, responsável por 11% das emissões de CO² do Ceará. Sabe-se que o aquecimento global vai produzir secas cada vez mais graves; assim, queimar carvão e consumir água para gerar energia elétrica é o suprassumo da estupidez. Detalhe: ela só paga metade do preço da água que consome.. A questão é que Cid Gomes, a direção da Cogerh e Camilo Santana arriscaram a sorte. Apostaram que 2015 iria ser um ano bom. Agora, com possibilidades de um El Niño atrapalhar mais uma estação chuvosa, Cid vai viajar para assistir de longe, como Nero, o Ceará inteiro pegar fogo.

O novo governante, por sua vez, diz apenas que vai rezar, mas nem São Pedro nem São José serão capazes de prover água para saciar a sede da indústria pesada. Nem mesmo São Francisco, santo ou rio: a nascente secou e a transposição para fornecer água para as indústrias se tornou uma ilusão, um blefe e um agrado para as empreiteiras que tocam a obra.

Alexandre Costa

opiniao@opovo.com.br

Ph.D. em Ciências Atmosféricas, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Via blog do Eliomar