COMO DESCREVER A ALEGRIA DE SER PAI?! - Revista Camocim

domingo, 10 de agosto de 2014

COMO DESCREVER A ALEGRIA DE SER PAI?!

Por César Rocha

Ser pai é experimentar o mais sublime amor, é compartilhar com o criador a dádiva de gerar uma nova vida. Confesso que a emoção sempre fala mais alto quando tenho que me debruçar sobre o tema! A paternidade é uma força sublime que nos redime e nos faz enfrentar com bravura as tempestades da vida sem hesitar.


Na iminência de celebrarmos o Dia dos Pais, queria prestar uma singela homenagem àquele que me ensinou a ser pai...

Francisco Valmir Rocha, professor e maestro, sempre foi a grande referência de vida para todos nós. Trago comigo na lembrança muitos momentos marcantes. Recordo-me, por exemplo, entrar, várias vezes, em seu gabinete e vê-lo escolhendo minuciosamente o repertório para cada apresentação musical que o coral iria fazer. Com olhar compenetrado, solfejava com entusiasmo as partituras,auxiliado por um velho diapasão. Eu, menino curioso, observava com atenção...

O seu amor pela literatura e pelas partituras, nos fizeram enveredar pelo mesmo caminho da arte como expressão se vida.

Durante muitos anos, dirigiu com entusiasmo e disciplina o “Coral Ágape Paroquial”, posteriormente chamado “Coral Arte e Cultura”, grupo polifônico que ainda hoje abrilhanta as solenidades religiosas em nossa cidade, Camocim/CE.

À noite, cotidianamente, quando todos nós estávamos nos preparando para dormir, éramos convidados à prática da oração. O maestro zeloso tornava-se nesse momento, o pai amoroso e incansável que estava sempre preocupado com o crescimento espiritual de seus filhos e filhas. De um lado para outro do corredor que ligava os três quartos, ouviam-se os seus passos firmes e a sua voz imponente recitando as ave-marias e os pai-nossos numa espécie de cantilena, nada repetitiva, ao contrário do que se possa pensar, já que ele nos incentivava a vislumbrar em cada dezena as diferentes cenas e fatos da família de Nazaré. Mais importante do que as palavras era a vida partilhada, que iluminada pela fé, tornava-se oração concreta. Nessas horas, os problemas e dificuldades do dia-a-dia se dissipavam como nuvens carregadas ao sabor do vento e nos sentíamos unidos e fortalecidos como nunca. Experimentávamos uma profunda paz, essa mesma paz tão buscada e desejada até hoje. Sobre isso, depois de alguns anos, pude escrever:

"Ó sedutora e misteriosa paz que acalenta a minha alma, apaziguando o fragor dos pensamentos e angústias, sinto a cada instante os teus gracejos e escuto a tua doce melodia, suave e delicada como a fina flor da primavera. Confesso-te minha frágil condição humana! Sou apenas um admirador de tua beleza, um menestrel que canta as tuas maravilhas e tenta, tão parcamente, traduzir-te em palavras, tímidas e acanhadas, mas, sedentas de significado. É isso, exatamente isso que procuro incessantemente, por entre sombras e ilusões, o significado que emana de Ti, ó divina paz. Quando te contemplo e lanço-te um olhar, enche-me com tua serenidade, com uma percepção inaudita, um jeito novo de ver e reinventar a vida."

Os dias se passaram e hoje, sempre que posso, volto aos jardins da minha infância, à casa onde tudo começou para expressar toda a minha gratidão e amor...

Que Deus, Pai por excelência, me ensine a viver a paternidade com sabedoria a exemplo deste grande homem.


Parabéns!