Ser pai é experimentar o mais
sublime amor, é compartilhar com o criador a dádiva de gerar uma nova vida.
Confesso que a emoção sempre fala mais alto quando tenho que me debruçar sobre
o tema! A paternidade é uma força sublime que nos redime e nos faz enfrentar
com bravura as tempestades da vida sem hesitar.
Na iminência de celebrarmos o Dia
dos Pais, queria prestar uma singela homenagem àquele que me ensinou a ser
pai...
Francisco Valmir Rocha, professor
e maestro, sempre foi a grande referência de vida para todos nós. Trago comigo
na lembrança muitos momentos marcantes. Recordo-me, por exemplo, entrar, várias
vezes, em seu gabinete e vê-lo escolhendo minuciosamente o repertório para cada
apresentação musical que o coral iria fazer. Com olhar compenetrado, solfejava
com entusiasmo as partituras,auxiliado por um velho diapasão. Eu, menino
curioso, observava com atenção...
O seu amor pela literatura e
pelas partituras, nos fizeram enveredar pelo mesmo caminho da arte como
expressão se vida.
Durante muitos anos, dirigiu com
entusiasmo e disciplina o “Coral Ágape Paroquial”, posteriormente chamado
“Coral Arte e Cultura”, grupo polifônico que ainda hoje abrilhanta as
solenidades religiosas em nossa cidade, Camocim/CE.
À noite, cotidianamente, quando
todos nós estávamos nos preparando para dormir, éramos convidados à prática da
oração. O maestro zeloso tornava-se nesse momento, o pai amoroso e incansável
que estava sempre preocupado com o crescimento espiritual de seus filhos e
filhas. De um lado para outro do corredor que ligava os três quartos, ouviam-se
os seus passos firmes e a sua voz imponente recitando as ave-marias e os
pai-nossos numa espécie de cantilena, nada repetitiva, ao contrário do que se
possa pensar, já que ele nos incentivava a vislumbrar em cada dezena as
diferentes cenas e fatos da família de Nazaré. Mais importante do que as
palavras era a vida partilhada, que iluminada pela fé, tornava-se oração
concreta. Nessas horas, os problemas e dificuldades do dia-a-dia se dissipavam como
nuvens carregadas ao sabor do vento e nos sentíamos unidos e fortalecidos como
nunca. Experimentávamos uma profunda paz, essa mesma paz tão buscada e desejada
até hoje. Sobre isso, depois de alguns anos, pude escrever:
"Ó sedutora e misteriosa paz
que acalenta a minha alma, apaziguando o fragor dos pensamentos e angústias,
sinto a cada instante os teus gracejos e escuto a tua doce melodia, suave e
delicada como a fina flor da primavera. Confesso-te minha frágil condição
humana! Sou apenas um admirador de tua beleza, um menestrel que canta as tuas
maravilhas e tenta, tão parcamente, traduzir-te em palavras, tímidas e
acanhadas, mas, sedentas de significado. É isso, exatamente isso que procuro
incessantemente, por entre sombras e ilusões, o significado que emana de Ti, ó
divina paz. Quando te contemplo e lanço-te um olhar, enche-me com tua
serenidade, com uma percepção inaudita, um jeito novo de ver e reinventar a
vida."
Os dias se passaram e hoje,
sempre que posso, volto aos jardins da minha infância, à casa onde tudo começou
para expressar toda a minha gratidão e amor...
Que Deus, Pai por excelência, me
ensine a viver a paternidade com sabedoria a exemplo deste grande homem.
Parabéns!

