Chiquinho não irá apoiar Sérgio e nem Gony. Irá apoiar Robério Monteiro. Ele resolveu não seguir as orientações do líder da oposição, Chico Vaulino, também não se desmembrou definitivamente do grupo familia 11.
A decisão do Peixe gerou um debate polêmico em toda a cidade. Resolvemos dedicar algumas linhas sobre o assunto.
O blogueiro trabalhou ao lado do Peixe na campanha politica.
Antes de tudo, nosso ponto de vista não parte de considerações alheias, discutidas no campo das suposições ou do “achismo”, muito menos se digna as especulações sensacionalistas, mas, sim, é fruto de uma experiência presencial dos bastidores da politica, praticada por um grupo que conheceu nos últimos 08 anos os sabores e os dessabores do Governo Municipal, mas que, por hora, vive a confusa experiência da oposição. Assim sendo, podemos afirmar que a decisão de Chiquinho do Peixe, em apoiar candidatos a deputado estadual e federal, fora da decisão do grupo conhecido por família 11, é um fator que jamais poderá ser considerado um ato de ingenuidade ou algo parecido. A decisão de Chiquinho do Peixe foi consciente, recheada de absolutas certezas de que a opinião pública iria se dividir em poucos aplausos e muita rejeição, principalmente pelo público partidário, formado por admiradores e militantes.
Contrariando o que se
tenta jogar para o público, Chico Vaulino, líder da oposição, sempre manifestou
grande apreço e consideração por Chiquinho do Peixe. Nos bastidores, onde
normalmente acontecem as jogadas, sabe-se que Chico Vaulino comprou briga com
muitos aliados, primeiro quando escolheu Chiquinho do peixe como seu
vice-prefeito e mais tarde seu sucessor. Nos dois momentos, Chico Vaulino “comeu
a parada sozinho”, enfrentando as severas criticas internas dos que tiveram que
engolir Chiquinho, respeitando a escolha de Vaulino, que sempre apostou todas as
suas fichas na fidelidade politica do Peixe. E diga-se: não se escolhe qualquer um para
ser vice-prefeito, ou prefeito. Ressalta-se ainda que Chico Vaulino, em sua reeleição, colocou em
risco sua candidatura ao escolher o Peixe como seu vice, e que em alguns discursos, ao se reportar a figura
de Chiquinho, ele sempre fez questão de enfatizar e agradecer a sua fidelidade,
“dizendo que nunca teve problemas com seu vice e que, na politica, fidelidade
ao grupo é algo muito importante”. Recentemente, durante sua festa de
aniversário, na Tijuca, o líder da oposição renovou este discurso ao
cumprimentar Chiquinho. Talvez sem imaginar que o Peixe já estava afinando com
outros candidatos, vista que os boatos já circulavam desde o ano passado,
quando se iniciou a conversa em outras
praias.
Por tanto, o apoio de Chiquinho do
Peixe a Robério Monteiro, pré-candidato a deputado estadual, e ao deputado
federal, Vicente Arruda, oferece ao grupo politico família 11, e a seus
seguidores, o sabor da decepção com cheiro de golpe, traição e ingratidão,
gerando grande desconforto entre seus membros de cúpula, que até então o tinham
como exemplo de fidelidade. Ressalta-se que a figura do Peixe, na família 11,
era o exemplo mais forte de fidelidade às decisões do grupo e do seu líder
Vaulino, nunca se levantou suspeitas, nunca se percebeu sinais de rebeldia. E
esta atitude abre fortes precedentes para qualquer outro membro assim se
manifestar, o que para o grupo liderado por Chico Vaulino seria uma “desgraça”.
Todos tem o direito de escolhas, NINGUÉM
É OBRIGADO A FICAR ONDE ESTAR, mas toda escolha tem suas consequências.
E como acontece nas relações pessoais, na dinâmica da politica partidária, todo
passo desequilibrado, toda escolha mal feita resulta em consequências desastrosas,
de enfraquecimento dos ideais coletivos perante a sociedade, gera descredito em
todo o partido e, o pior de tudo, confunde a cabeça do eleitorado - um eleitorado
confuso no jogo politico é sempre vulnerável na hora do voto. Todo politico, do
mais sábio ao menos letrado, sabe exatamente o que isso significa.
Deve se considerar também que o
momento foi o pior de todos, pois a oposição enfrenta sérios problemas
internos: perca de vereadores, e futuramente a perca da Presidência da Câmara, além
dos acirrados conflitos públicos entre suas principais lideranças.
Neste embaraço surgem as
perguntas sem respostas: quais os motivos que levaram Chiquinho do Peixe a
tomar esta decisão? Muito embora não se
saiba, apenas imagina-se que não foi um ato voluntário, gratuito, pois, na politica de
alianças partidárias existem acordos na hora da celebração, e são estes acordos
reais que normalmente não são revelados para a sociedade.
Por fim, a população é a grande
vitima de toda trama, é quem paga o preço por não conseguir vislumbrar em seus
representantes aspectos de honestidade, sinceridade e compromisso com os
anseios do povo. Aos pobres mortais cabe
a reflexão: até quando vamos sustentar este modelo ultrapassado e desrespeitoso
de se fazer politica?
Carlos Jardel
