O site Eu Apoio Zé Dirceu atingiu
a marca de R$ 1.083.694,38, neste sábado. O valor é resultado de doações de
3.972 pessoas e ultrapassa o que ex-ministro José Dirceu precisava para pagar a
multa de R$ 971.128,92, imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A campanha, lançada há 10 dias,
supera assim o valor da multa e segue o exemplo de outros dois petistas
condenados na Ação Penal 470, do STF, que se transformou no chamado processo
chamado de ‘mensalão’ pela mídia conservadora, ou de ‘mentirão’, segundo
alcunha talhada pela colunista Hildegard Angel. José Genoino e Delúbio Soares
também superaram os valores de suas punições. A pena pecuniária de Dirceu, no
entanto, é de quase o dobro da imposta aos dois correligionários.
Além dos recursos, não faltam apoios
ilustres e aberto ao ex-ministro. O advogado José Roberto Batochio,
ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), contou a jornalistas ter
doado R$ 1 mil.
– A solidariedade aos perseguidos
é um valor a ser defendido na sociedade brasileira, que vive dias tão difíceis,
quando muitos cultivam o ódio, sentimento típico de regimes fascistas – disse
Batochio.
Outro doador renomado foi o
jornalista e escritor Fernando Morais, que foi taxativo ao justificar sua
doação ao ex-ministro:
– O dinheiro é meu. E com o meu
dinheiro eu faço o que eu quiser.
Também jornalista, Paulo Moreira
Leite, da revista IstoÉ – autor do livro A outra história do ‘mensalão’,
acredita que as doações são um instrumento para tornar inútil o esforço de
realizar a “execução social” dos condenados na Ação Penal 470. “O que se quer é
a execução social dos prisioneiros, que devem ser reduzidos a condição de seres
manipuláveis e disponíveis, sem consciência nem vontade própria. As doações
mostram que esse esforço é inútil”, escreveu, recentemente.
O ator José de Abreu também
declarou a jornalistas ter doado R$ 1 mil ao amigo Dirceu, que conheceu
enquanto cursava a Faculdade de Direito. A intenção: “dividir a pena com ele”.
Crítico ferrenho da forma como foi julgada a Ação Penal 470, Zé de Abreu disse
considerar “legítima” a iniciativa da militância, amigos e familiares em fazer
a campanha de arrecadação.
