Conclave é a reunião dos cardeais da Igreja
Católica para eleger um novo Papa. A palavra “conclave”, do latim, quer dizer
“com chave”, vem do fato de que, antigamente, quando os cardeais que iam eleger
um novo Papa ficavam trancados com chave na Capela Sistina, ou outro local, até
que um novo Pontífice fosse eleito. Ficavam totalmente sem comunicação com o
povo.
Hoje, a eleição do Papa é
realizada segundo a Constituição Apostólica UNIVERSI DOMINICI GREGIS
(22/02/1996), do Papa Beato João Paulo II, que rege o funcionamento do Conclave
e da eleição do novo Pontífice. É um longo documento com 92 parágrafos, o qual
pode ser lido no site do Vaticano.
VEJAMOS OS PONTOS MAIS IMPORTANTES DO CONCLAVE:
O Conclave é um retiro sagrado,
no qual os cardeais eleitores invocam o Espírito Santo para proceder à eleição
do Romano Pontífice. O artigo 37 estabelece que o Conclave começará 15 dias
depois de vacante a Sé Apostólica, embora o Colégio de Cardeais possa
estabelecer outra data, a qual não pode se atrasar mais do que 20 dias da
vacante.
Todos os cardeais eleitores
ficam hospedados em uma acomodação, na chamada “Domus Sanctae Marthae”,
construída na Cidade do Vaticano.
Como funciona o Conclave?
Na parte da manhã e na parte
da tarde, são feitas as orações e a celebração das sagradas funções ou preces
que se acham indicadas no mencionado “Ordo rituum Conclavis”. Em seguida, há os
procedimentos para as eleições. Podem votar e ser votados todos os cardeais com
menos de 80 anos de idade. Os cardeais eleitores são obrigados a participar do
Conclave e são convocados pelo cardeal mais velho (Decano).
São feitas duas eleições por
dia, uma de manhã e outra à tarde, e será eleito o cardeal que, numa dessas eleições,
obtiver 2/3 dos votos, considerando presentes todos os cardeais. A eleição é
secreta, cada cardeal coloca em uma cédula o nome em quem deseja votar. Três
cardeais são escolhidos para fazer a contagem dos votos (os escrutinadores).
Conferem, após cada eleição, se o número de cédulas é igual ao de cardeais
presentes. Se algum deles for escolhido com 2/3 de votos, estará eleito; se
aceitar o cargo, então, é queimada uma fumaça branca no incinerador da Capela
Sistina. Se após a segunda eleição do dia não houver ainda um eleito, então,
queima-se uma fumaça negra que sai na chaminé da Capela, na Praça de São Pedro.
Após cada eleição as cédulas são todas queimadas pelos escrutinadores.
Cada cardeal, ao colocar sua
cédula na urna, diz estas palavras em forma de juramento: “Invoco como
testemunha Cristo Senhor, o qual me há de julgar, que o meu voto é dado àquele
que, segundo Deus, julgo deve ser eleito”.
Se houver algum cardeal doente
que não possa sair de seu quarto, a urna é levada a ele, por três cardeais (os
Infirmarii), para que possa votar.
Caso os cardeais não elejam o
novo Papa durante três dias de votações, estas serão suspensas durante um dia
para uma pausa de oração, de livre colóquio entre os votantes e de uma breve
exortação espiritual, feita pelo primeiro dos cardeais da ordem dos cardeais
diáconos. Há cardeais de três ordens: diáconos, presbíteros e bispos. Em
seguida, recomeçam as votações. Se, após sete escrutínios, ainda não se
verificar a eleição, faz-se outra pausa de oração, de colóquio e de exortação,
feita pelo primeiro dos cardeais da ordem dos presbíteros. Procede-se, depois,
a uma outra eventual série de sete escrutínios. Se ainda não se tiver obtido o
resultado esperado, há uma nova pausa de oração, de colóquio e de exortação, feita
pelo primeiro dos cardeais da Ordem dos Bispos. Em seguida, recomeçam as
votações segundo a mesma forma, as quais, se não for conseguida a eleição,
serão sete. (n.74)
Se ainda as votações não
tiverem êxito, os cardeais eleitores serão convidados pelo Camerlengo a darem a
sua opinião sobre o modo de proceder, e proceder-se-á segundo aquilo que a
maioria absoluta deles tiver estabelecido. Todavia, não se poderá deixar de
haver uma válida eleição, ou com a maioria absoluta dos sufrágios ou votando
somente os dois nomes que, no escrutínio imediatamente anterior, obtiveram a
maior parte dos votos, exigindo-se, também nesta segunda hipótese, somente a
maioria absoluta.
Durante o Conclave, os
cardeais ficam totalmente isolados do mundo, não podendo usar os meios de
comunicação (jornal, rádio, televisão, celular, etc.), receber pessoas para
visitas, etc. É terminantemente proibido aos cardeais, antes e durante o
Conclave, fazer acordo entre si para a eleição de um deles, sob pena de
excomunhão “latae sententiae”. O artigo 80, além disso, castiga com excomunhão
os cardeais que aceitarem a proposta de uma autoridade civil de propor o veto
contra algum cardeal, como acontecia até 1904.
Após a eleição de um dos
cardeais, o cardeal Decano pergunta ao eleito: “Aceitas a tua eleição canônica
para Sumo Pontífice?” E, uma vez recebido o consenso, pergunta-lhe: “Como
queres ser chamado?”. Então, os cardeais eleitores aproximam-se para render
homenagem e prestar obediência ao neoeleito Sumo Pontífice. Depois disso, o
primeiro dos cardeais diáconos anuncia ao povo, que está à espera, a eleição
consumada e o nome do novo Pontífice: “Nuntio vobis gaudium magnum: habemus
Papam!” (“Anuncio-vos uma grande alegria: Temos um Papa”), o qual, a seguir, dá
a bênção apostólica Urbi et Orbi do pórtico da Basílica do Vaticano.
No Conclave para escolha do
sucessor de Bento XVI deverão estar presentes 117 cardeais. O cardeal
Camerlengo, que desempenha um papel fundamental no período de vacância, é o
cardeal Tarcisio Bertone, nomeado pelo Papa Bento XVI em 4 de abril de 2007. Os
cardeais eleitores serão 61 europeus, 19 latino-americanos, 14
norte-americanos, 11 africanos, 11 asiáticos e 1 da Oceania. O país com o maior
número de cardeais, 21, é a Itália. 67 eleitores foram criados por Bento XVI, e
os restantes 50 por João Paulo II.