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terça-feira, 30 de março de 2021

Ceará tem 11,4 mil casos de Covid a mais entre pacientes de 15 a 39 anos na segunda onda da pandemia




A disseminação acelerada da Covid-19 no Ceará, nos últimos meses, mantém aceso um alerta máximo de prevenção, principalmente entre os jovens. A faixa etária de 15 a 39 anos já registra 11.433 infecções a mais na segunda onda, se comparada à fase inicial da pandemia, de acordo com dados do Integra SUS, da Secretaria da Saúde (Sesa).


Entre março e setembro de 2020, foram confirmados 115.910 casos de Covid em cearenses de 15 a 39 anos. Em seis meses de segunda onda, ativa desde outubro, já são 127.343 novas infecções, quase 10% a mais. Os dados foram coletados nesta terça-feira (30), às 9h30.


A faixa de idade com aumento mais expressivo foi a de 20 a 29 anos: na primeira onda, eles responderam por 47.257 confirmações; na segunda, até hoje, já são 53.995 infectados, o correspondente a 14,3% a mais.


Uma entre os cearenses que contraíram Covid já em 2021 foi a analista de recursos humanos Camila Corrêa, 35. Em isolamento social rigoroso com a família desde o início da pandemia no Ceará, ela foi contagiada pelo irmão, de 20 anos, que testou positivo após uma ida ao supermercado.


Os sintomas começaram com uma “secura na garganta”, seguida de moleza no corpo, dor nos olhos e uma febre que perdurou por dez dias, acendendo sinal de alerta para a analista, que procurou atendimento médico por três vezes.


“Na segunda vez, tive medo, porque a tomografia mostrou que o pulmão estava com 25% a 50% de comprometimento. Meus índices de inflamação estavam muito altos, apesar de a capacidade respiratória estar boa. Cheguei a pedir pra ser internada”, relembra.


O medo e a ansiedade também acometeram o estudante Victor Cristino, 22, junto a dores de cabeça e nas costas, coriza, febre e cansaço, quando testou positivo para a Covid no início deste mês.


"Foi muito notória a ansiedade de não saber o que esperar, não saber como a doença iria evoluir. De estar sempre alerta a qualquer sintoma que pudesse indicar necessidade de intubação ou algo do tipo, principalmente por saber que os mais jovens estão adoecendo mais", pontua.


JOVENS E ADULTOS ESTÃO MAIS EXPOSTOS

Na análise de Keny Colares, infectologista do Hospital São José (HSJ) e integrante do Comitê Covid da Sesa, o principal fator para a alta nos casos entre os mais jovens é o comportamental. A influência das novas variantes, por exemplo, ainda não é comprovada cientificamente.


“No final do ano passado, os cuidados com isolamento estavam sendo muito negligenciados, principalmente entre os mais jovens. As variantes são mais contagiosas, sim, mas nenhum estudo mostra 'predileção' delas por essas faixas de idade”, indica o infectologista.


Keny descarta que o crescimento dos casos esteja necessariamente associado a reinfecções – que são cerca de 1% dos novos casos – ou a uma melhora do diagnóstico em relação à primeira onda, “porque a testagem melhorou para todos, não só para os mais novos”.


Entretanto, um fator que diferencia as situações dos grupos etários é a vacinação. “Já existem alguns dados mostrando que na população mais idosa e que teve acesso à vacinação as curvas e necessidade de internação já são menores. A vacina já tem algum efeito, mas ela sozinha não vai ser suficiente”, alerta o médico.


HOSPITALIZAÇÕES DE JOVENS E ADULTOS

No Ceará, neste ano, até o último dia 20, foram notificados 16.144 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), de acordo com boletim epidemiológico mais recente divulgado pela Sesa. 


HOSPITALIZAÇÕES DE JOVENS E ADULTOS

No Ceará, neste ano, até o último dia 20, foram notificados 16.144 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), de acordo com boletim epidemiológico mais recente divulgado pela Sesa. 


Entre os casos já investigados e hospitalizados, 7.209 (78,4%) foram causados pela Covid – dos quais 3.478 foram de cearenses com menos de 60 anos. A maioria estava na faixa etária de 20 a 49 anos, que respondeu por 2.071 das internações.


O microbiologista e biomédico Samuel Arruda alerta que o maior adoecimento de jovens tem acelerado o colapso do sistema de saúde, sobretudo no que se refere à disponibilidade de leitos de terapia intensiva.


“Os jovens levam maior tempo de internação nas UTIs, reduzindo as vagas disponíveis. Muitos profissionais já dizem que precisam avaliar qual paciente tem mais chances de sobreviver com o respirador. Isso é muito sério. A necessidade do lockdown tem que vir das pessoas. Se a gente não lidar com isso agora, vai piorar e se prolongar mais”, finaliza.


Diário do Nordeste

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