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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Nota Pública da Secretaria Municipal de Saúde de Granja


A Secretaria de Saúde de Granja/CE vem por meio desta nota esclarecer sobre o fato trágico que vitimou, no pós-parto, uma cidadã granjense, empós a sua passagem pelo Hospital Deputado Murilo Aguiar. A gestante possuía 27 anos, estava em sua 1ª gestação e iniciou Pré-Natal com 9 semanas de estado gravídico, realizando exames laboratoriais e ultrassom sem alterações, bem como fazendo uso de ácido fólico e sulfato ferroso, sendo, portanto, diligentemente assistida pela Secretaria Municipal de Saúde. Seguiu com acompanhamento Pré-Natal mensal na Unidade Básica de Saúde local, realizando 05 consultas até a 36ª semana, ou seja, 8º mês gestacional, com atendimentos prestados pelo enfermeiro e pela médica da unidade pública de saúde, não tendo sido apresentada nenhuma intercorrência durante todo o acompanhamento, nem muito menos sido constatado comorbidades preexistentes. Nesse sentido, a última consulta da gestante com os profissionais competentes, na UBS, foi realizada em 07 de dezembro, sem exposição de queixas ou anormalidades, sem edema, e ainda mantendo uso de sulfato ferroso.

Ademais, na madrugada do dia 12 de dezembro do corrente ano a gestante deu entrada no Hospital Maternidade Vicente Arruda, em Granja/CE, apresentando dor em baixo ventre e sangramento transvaginal, batimentos fetais presentes e normais, pressão arterial normal, sendo encaminhada preventiva e em caráter de emergência para o Hospital Pólo Deputado Murilo Aguiar, em Camocim/CE, nosocômio este que tem a responsabilidade de manter médico obstetra 24hs de plantão.

Ao chegar no Hospital Pólo, a gestante foi submetida à negligência obstétrica, conforme relato dos familiares, ocasião em que teve que esperar, na entrada da emergência, por cerca de 03 horas para ser avaliada, e a despeito das dissonâncias quanto à demora no atendimento, a própria nota da Instituição, publicada informalmente por um Blog da região, confirma a estada da paciente na recepção do nosocômio, sem qualquer assistência. Nesse diapasão, a acompanhante da gestante relatou também que foi negada a avaliação da paciente, por aquela unidade hospitalar, em razão de desafeto político partidário, já que a paciente possui residência em Granja. 

Outrossim, imprescindível esclarecer que a paciente, mesmo apresentando intercorrência no parto/puerpério, o que foi relatado pelos familiares que com ela tiveram contato e presenciaram possível hemorragia, passou mais de 24 horas no Hospital Deputado Murilo Aguiar. 

Por conseguinte, no dia 13 de dezembro, o Hospital Murilo Aguiar informou à família que a puérpera seria transferida para Sobral por apresentar quadro clínico grave, realizando a transferência, momento em que a paciente evoluiu para um fatídico óbito no interior da ambulância, durante o translado de Camocim à Sobral.

Ocorre que muitas indagações surgem diante da própria nota da direção do Hospital, na medida em que não se tem como coadunar a declaração institucional de que o parto normal foi sem complicações obstétricas, e pouco tempo depois a paciente vem a óbito. Como essa evolução no agravamento do quadro clínico da paciente se deu tão rapidamente, se conforme informações da Instituição, a gestante estava em perfeito estado clínico após o parto? Como a paciente, até então saudável, evolui para um estado de alta complexidade em exíguo prazo? A paciente no translado foi acompanhada por um profissional médico? Ela chegou a ser entubada? Muitas são as perguntas sem respostas concretas e invariáveis!

A família consternada com a situação, e buscando maiores esclarecimentos, solicitou a direção do Hospital Deputado Murilo Aguiar a cópia do prontuário da paciente, pleito que foi prontamente negado, ocasião em que se limitaram apenas a repassar, para as pessoas interessadas, a informação de que entregariam a cópia do prontuário tão somente mediante ordem judicial. Constatou-se também, pelas pessoas então presentes, que não havia médico obstetra, no dia 13 de dezembro de 2020, de plantão no referido nosocômio, momento em que o médico clínico que prestava atendimento, Dr. Miraci, ficou encarregado do contato com a família, relatando a estes que não sabia prestar esclarecimentos no tocante a causa mortis da paciente.

Não seria admissível, caso se tenha a comprovação inconteste, que um Hospital de referência em Obstetrícia não tenha prestado a devida assistência a uma parturiente ao não dispor de profissional obstetra no plantão para acompanhar as intercorrências e dar explicações à família sobre a condição das pacientes. Se assim ficar comprovado, patente a constatação de que o equipamento de saúde cometeu violência obstétrica, somando-se a confissão quanto a burocratização da assistência ao retardar o atendimento de uma paciente em situação de emergência obstétrica.

Por derradeiro, causa perplexidade, o fato da direção do Hospital Pólo, em sua defesa, infelizmente externar suposições, fazer conjecturas e empregar expressões que denotam uma polarização político partidária, que não deveriam sequer serem pontuadas, por serem completamente descabidas e alheias a situação. O que se evidencia é a carência técnica ou descuido daqueles que emitiram/redigiram a mencionada Nota, até porque expõe e capitaneia repercussão negativa do ocorrido sem se importar com o luto da família e a perda precoce da vida de uma mãe.

Esta Secretaria Municipal de Saúde está tomando as devidas providências para que seja realizada auditoria no Hospital Deputado Murilo Aguiar, o que o fez por intermédio do protocolo de Ofício à Secretaria de Saúde do Estado e à Superintendência Regional de Sobral, bem como encaminhado a fatídica notícia ao Ministério Público Federal e Estadual para que procedam com as investigações e eventuais e futuras responsabilizações cíveis e/ou criminais.

Secretaria da Saúde de Granja 

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