Covid-19: sem confirmações, Ceará investiga 183 casos de reinfecção - Revista Camocim

sábado, 12 de dezembro de 2020

Covid-19: sem confirmações, Ceará investiga 183 casos de reinfecção

Primeiro em abril, depois em dezembro. O jornalista Mike Lucas, de 27 anos, não suspeitava de que poderia ter dois testes positivos para Covid-19 num período tão curto de tempo. Nas duas ocasiões, ele teve a perda do olfato e do paladar, sintomas característicos da doença pandêmica. No entanto, antes de classificar de "reinfecção" casos como o de Mike, os órgãos de saúde têm exigido cautela e uma série de estudos clínicos e laboratoriais. Só no Ceará, 183 casos do tipo são investigados, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).

Todas elas tiveram duas amostras de RT-PCR positivas para a doença, segundo o Plano Estadual de Contingência contra a Doença pelo Coronavírus. Ao todo, são 95 mulheres e 88 homens, com idade média de 49 anos. Para avaliação dos casos, já foram contactadas 77 pessoas, 24 visitas realizadas, 12 visitas agendadas, com seis recusas e 35 pessoas foram descartadas por não se enquadrar nos critérios de inclusão, detalha a Pasta.

Na última quinta (10), o Ministério da Saúde reconheceu o primeiro caso oficial de reinfecção por Covid-19 no Brasil em uma enfermeira de 37 anos do Rio Grande do Norte. No Ceará, até a nota técnica mais recente sobre o tema, de outubro, foram 12 confirmações de pacientes - dez eram da área da saúde - com "recorrência" de sintomas, ou seja, tiveram reinício dos sintomas característicos da fase aguda após 21 dias do início do quadro inicial. O infectologista Keny Colares, consultor da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP) e pesquisador de casos de recorrência de sintomas da Covid-19 no Estado, recomenda cautela antes de classificar a positividade seguida como "reinfecção", já que as análises podem indicar possíveis casos de "long Covid" (Covid longo) - quando há persistência de sintomas após três semanas do início da doença - ou recorrência de sintomas.

Para confirmar a reinfecção, há duas fases. "Primeiro, temos de saber se houve sintomas nas duas vezes, se houve a realização de testes RT-PCR (de cotonete nasal) e se houve um tempo razoável, de pelo menos três semanas, entre um evento ou outro. Além disso, é preciso estudar o código genético do vírus nas duas vezes e mostrar que são vírus diferentes", detalha.

Informações do Diário do Nordeste.

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