sábado, 10 de outubro de 2020

Que as virgens não sejam descobertas sem óleo e sem máscara

Segue o artigo do  Paulo Emanuel Lopes.

Que as virgens não sejam descobertas sem óleo e sem máscara.

Na parábola das dez virgens, Jesus compara o Reino dos Céus a dez mulheres que desejam noivar: cinco prudentes, cinco imprudentes. As prudentes levam ao encontro com seu noivo óleo para a lamparina, enquanto que as imprudentes, não. Quando o noivo chega, à meia-noite, as desprevenidas que não trouxeram óleo são “pegas de surpresa” e acabam impedidas de entrar no banquete nupcial.

"Mais tarde vieram também as outras [imprudentes] e disseram: 'Senhor! Senhor! Abra a porta para nós!' Mas ele respondeu: 'A verdade é que não as conheço!'. Portanto, vigiem, porque vocês não sabem o dia nem a hora!” (Mateus 25: 11-13)

Cerca de dois mil anos após estas palavras, vejo em uma rede social cenas de uma festa na nossa vizinha praia de Jericoacoara. Uma multidão grita acompanhando um cantor de forró nacional: todos estão se divertindo, mas sem nenhuma preocupação com a pandemia de Covid-19.

Vale realmente a pena expor-se dessa forma?

E aqui eu não quero fazer uma crítica ao trade turístico. Apesar de que podemos questionar a forma como a quarentena foi encerrada por lá, sabe-se que essa atitude descuidada é patrocinada pelos turistas. As regras existem, mas se os cidadãos não quiserem cumprir, vamos culpar os donos de estabelecimentos?

Eu entendo que para muitos a Covid-19 não passou, ou passará, de uma gripe leve. Mas para tantos outros não foi assim. Todos perdemos alguém conhecido, ou que precisou ser hospitalizado em estado grave. Todos estamos sofrendo as consequências econômicas e psicológicas da quarentena prolongada.

A questão não é criticar a diversão. Depois de tudo que estamos vivendo neste ano de 2020, temos mesmo é que celebrar e agradecer a Deus a graça de estarmos vivos. Muitas daquelas pessoas passaram semanas, meses confinadas e certamente precisaram daquele momento. Para citar outra passagem bíblica: “Todos nós devemos comer e beber e aproveitar bem aquilo que ganhamos com o nosso trabalho. Isso é um presente de Deus.” (Eclesiastes 3:13)

O que me incomodou, portanto, na atitude daqueles brincantes de Jericoacoara (assim como os do Lago Seco, aqui de Camocim, e de tantos outros lugares) é o descaso com as medidas de prevenção ao novo coronavírus. Porque mesmo que não se tenha medo de pegar a Covid-19, você pode estar infectado sem saber e transmitindo.

Neste sentido, o que eu desejo é que a gente reflita sobre este período em que vivemos. Vamos dar preferência às “bolhas sociais”, ou seja, vamos aproveitar os momentos de lazer com as pessoas que moram em nossa própria casa, ou apenas com amigos próximos. Em restaurantes, mantenha a máscara o máximo de tempo possível. Evite aglomerações, e se não for possível, mantenha distância das outras pessoas.

Ninguém sabe como esse vírus passou dos animais para o homem. Também não sabemos como essa história terminará. A única certeza é: não dá para voltar ao passado. Use máscara, evite aglomerações. Assim como na parábola das 10 virgens, cuidado para quando chegar o momento, você não seja pego desprevenido.

*Paulo Emanuel Lopes é Camocinense, freelancer, escritor e microempresário. Graduado em Publicidade (2012) e Jornalismo (2020).

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