terça-feira, 22 de setembro de 2020

Preço pago aos produtores de leite do Estado desestimula produção

Com o aumento no preço dos insumos e dificuldades para repassar essa alta para a indústria, produtores de leite do Estado vêm enfrentando dificuldades para viabilizar a atividade, que é um dos principais segmentos da pecuária cearense.

Segundo fontes do setor, para alguns produtores rurais os custos de produção já não compensam a venda de leite pelos preços pagos pela indústria de beneficiamento. E a situação chegou a tal ponto que há pecuaristas vendendo gado leiteiro para outros estados ou até considerando sair dessa atividade.

Enquanto o preço do litro do leite comprado pela indústria aumentou cerca de 30% ao longo deste ano, passando de R$ 1,15 para R$ 1,50, aproximadamente, o preço da soja e do milho, que servem de ração para o gado, tiveram alta de mais de 70% no mesmo período.

Com isso, o gado cearense tem sido vendido para estados como Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Maranhão e Minas Gerais. De acordo com Manoel Belarmino, presidente da Câmara Setorial do Leite (CSL) da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), em alguns casos, o custo de produção chega a R$ 1,70 por litro, o que torna a atividade inviável.

"Por que ele vai produzir se vai ter de vender por R$ 1,50?", diz. "O preço aos produtores não está acompanhando o aumento dos insumos. Por isso tem gente abandonando a atividade".

Para Flávio Saboya, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), o preço pago aos produtores locais não é compatível com o de outros mercados.

"Grandes indústrias do Ceará compram leite em outros estados por um preço 50 centavos acima dos nossos. Isso vem desestimulando o nosso setor de leite", diz. "Nós temos tudo para sermos um grande produtor de leite, mas precisamos de um preço razoável para o produto". Porém, Saboya diz não ter conhecimento sobre a venda de gado para outros estados.

Informações do Diário do Nordeste.

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