quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Na pandemia, CE teve o 4º maior excesso de mortes naturais no País

Todos os anos, o número de mortes naturais, provocadas, em geral, por doenças, tem aumento no Brasil. Um dos fatores é o envelhecimento da população. Em 2020, com a pandemia, se pressupõe que a quantidade desse tipo de perdas será elevada. Mas, já há cálculos que estimem quantas mortes se terá a mais no País? Ou mesmo, se a pandemia é responsável sozinha pelo acréscimo?

Para projetar o chamado excesso de mortalidade, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) lançou, este mês, um painel com estimativas considerando a média dos últimos cinco anos. No Ceará era estimadas 15.843 mortes naturais entre 15 de março e 4 de julho (semanas epidemiológicas 12 a 27). Mas, no período analisado, o Estado registrou 25.539 óbitos. O excesso de mortes é de 61%, quarta maior taxa do Brasil.

Para além dos lutos particulares, qual o impacto dessas perdas? Conforme o Conass, acompanhar os indicadores de morte é uma estratégia recomendada pela Organização Mundial de Saúde para que, em momentos como este, seja possível avaliar os efeitos diretos e indiretos da crise sanitária.

Isto porque, embora se pressuponha que a infecção por coronavírus seja a causa direta do excesso de mortalidade, há outras possibilidades como: aumento dos óbitos naturais provocados pela sobrecarga nos serviços de saúde, pela interrupção de tratamento de doenças crônicas ou até mesmo pela resistência de pacientes em buscar hospital durante a pandemia. Conforme a análise do Conass, somente Amazonas (95%), Roraima (76%) e Maranhão (67%) tiveram índices proporcionais maiores que o Ceará.

Ele acrescenta que "além dos óbitos confirmados de Covid, se a gente pegar o mesmo período de anos anteriores, ainda teve mais óbitos que deveria ter tido. Isso chamamos de excesso de óbitos". O cálculo feito pelo Conass considerou a série histórica de óbitos no Brasil entre 2015 e 2019, com dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. Não foram incluídas as mortes por causas externas, como os acidentes e as violências.

Com base nos dados foi estabelecida a expectativa para 2020. As informações são comparadas com os registros deste ano que constam no Portal de Transparência do Registro Civil, administrado pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).

Para compará-los é aplicado um fator de correção pois são duas bases de dados distintas. O ponto de partida é o registro da primeira morte por Covid-19 no País (na semana epidemiológica 12). A última alteração foi dia 11 de agosto e a plataforma continuará sendo atualizada, segundo o Conass.

Informações do Diário do Nordeste.

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